Chico Buarque, a lenda.

Um sambista que escreve livros? A única unanimidade nacional? Um artista com várias faces (o amante, o político, o trovador, o malandro, o cronista)? Afinal, como definir Francisco Buarque de Hollanda?


Talvez a tarefa seja impossível. Além de Chico Buarque estar vivo e em plena atividade mutativa (o que dificulta, em muito, qualquer conceituação sobre o cara), ele representa a ponte entre o erudito e o popular, sendo notável o cuidadoso trabalho de elaboração melódica e lingüística, no qual a letra se encaixa nos caminhos traçados pela melodia. Essa característica, aliás, foi criticada de forma brilhante por Romulo Fróes na última entrevista que concedeu à Scream & Yell (disse Fróes: Ele não sabe nada de som. Ele está pouco se fodendo. O último disco dele, “Carioca”, é foda. Tem um documentário… o produtor está ali na frente dele fodendo a música, com um arranjo horrível, e o Chico preocupado com um cacófato, nego começou a dar risada e ele: “O que foi?”. “Ah, Chico, é que está ‘como um gato a sua dona’, é a suadona, né”. E ele começa a se preocupar. A música é linda, o cara estragando o arranjo até que ele chega a “aos pés da dona”. E fica.).

Na verdade, Chico é uma lenda. Um mito contemporâneo, sei lá. Ele representa o cara cabeça que não perde o ar de cool. Há muito, ele é para as mulheres um ícone, um símbolo do homem completo: politizado, malandro, sensível ao lado feminino. Por isso, acaba sendo também um símbolo para os próprios homens, na ilusão de um dia serem tão desejados como Chico é. Olhos azuis, fumando um cigarrinho, com poucos sorrisos, mas sinceros. Essa entrevista, de 1983, com Marília Gabriela ilustra bem essas descrições.


Chico também é uma lenda internacional. Conhecido em todos os países da Europa continental, o cantor se comunica com facilidade em espanhol, francês, italiano, e talvez, até magiar (idioma húngaro! Pelo menos é o que se percebe da leitura de Budapeste!).



Essa bajulação nacional e internacional levou o americano Michael Kepp a publicar um artigo na Super Interessante entitulado Deus existe ou ele é só Chico Buarque?. Entretanto, a tentativa do jornalista de criticar esse "culto à personalidade de Chico" não deu muito resultado. As pessoas continuam endeusando o bom moço dos olhos claros.

Não obstante essa discussão sobre o quão cult ele é (e se isso é prejudicial), Chico Buarque é um brilhante letrista e excelente músico. Sua voz chinfrim, como ele mesmo diz, só traz mais personalidade à sua música. Chico Buarque não tem a voz aveludada. Tampouco tem um timbre espetacular como Tim Maia. Pelo contrário, para parte dos ouvintes, sua voz é péssima. Mesmo assim, ela tem um charme e garante muito mais autenticidade as suas composições. Imagine Chico Buarque como simples compositor, sendo gravado por outros? Isso já aconteceu, como no disco Seu Francisco, de Ney Matogrosso (dono de um das mais exóticas e afinadas vozes do Brasil), mas mesmo assim, não é a mesma coisa. É preciso ouvi-lo.

Separei então algumas músicas que estão na minha seleção Top 10 do Chico. A lista não existe. Mas se fizesse uma, faria questão de incluir essas cinco abaixo:






Genial. Uma pena que os shows de Chico estão cada vez mais raros. Lembro-se de que Alexandre Gaioto, amigo jornalista/escritor aqui de Maringá, foi ao show do mestre e relatou em seu blog há um tempo atrás.

Tudo bem. Pra saciar a sede de Chico, o pessoal do Cottonete Clube fará um show em homenagem ao malandro no dia 11 de Abril, próximo domingo, no Teatro da UEM. Paulinho Schoffen e banda apresentarão todas as fases de sua obra de maneira original.


Os ingressos custam R$ 10,00 e podem ser adquiridos na loja Genko do Shopping Maringá Park. O evento também conta com o apoio dos acadêmicos de Psicologia do 4º ano da Universidade Estadual de Maringá.

Uma grande chance de se ouvir o fino da música brasileira em pleno domingão.

E você, gosta de Chico? Já se aventurou no samba, sem deixar de lado o rock? Qual sua música predileta do poeta?

13 comentários:

Bruno Vicentini disse...

ou, tenho que ir trabalhar, volto pra comentar mais tarde! HAUHAIUA!

abraz!

Hífen disse...

não seria 'seu francisco' um disco do oswaldo montenegro?

Hífen disse...

mas minha opnião sobre o chico buarque é um tanto quanto (também) questionadora...

po, o cara é bom.

mas...

tá com TANTA moral assim?

será que não é um ufanismo exagerado por parte dos pseudointelectuais?

grande letrista, um cara educado. mas um tanto quanto "loshermanistas" ou "legiaourbanistas" da década dele. o que ele fez foi tal qual o los hermanos nos nossos tempos... faz questão de se recatar, e isso faz com que seja mais procurado ainda.

Tom Jobim, que era muito mais músico do que ele, se metia a ficar fazendo música para a novela e acabou meio que se popularizando mais e sendo um tanto menos assediado pela imprensa... principalmente pelo fato dele ter morrido!!!

dai o cara tá lá vivo...
fica dando uma de paulo coelho...
só faz show quando quer... cobra caro pra caralho...

beleza, tudo certo.
mas eu não vou lá pra ver isso não.

sabe porque?

pra que ir lá? escutar "boa música"... boa música o meu peru! isso ae não é melhor que cartola nem noel rosa... tá certo, os dois morreram... mas show por show, o show do hermeto é muito mais massa e custa 20 pilas e não 250!

se iludir que está ficando intelectual porque está ouvindo chico buarque é pior que achar que vai ficar mais inteligente se ler um livro da coleção 'os pensadores'.

então, parem de achar que Chico Buarque é Deus. ERIC CLAPTON É DEUS e todo mundo que é mais inteligente do que vc, caro leitor, sabe disso!

Anônimo disse...

Mas você não fica mais inteligente lendo um livro da coleção Os Pensadores?

Hífen disse...

claro que não, gente burra continua burra, e lendo livros editados pela abril/panini. companhia das letras se entrar na sua casa já é um sinal de melhora.
é como achar que vai conhecer jazz escutando a coleção de jazz da folha de são paulo. pelo amor de Deus!

Bruno Vicentini disse...

Depois de ler o comentário do hífen, pensei "pô, não é bem assim, vou ter que ir lá discordar", aí descubro que é o Ben-Hur. Pô, o Ben-Hur! O Ben-Hur é simplesmente o cara! Como que eu vou discordar do Ben-Hur, meu mentor, um dos caras que moldaram meu caráter, ele que sempre discordou muito de mim, até me ensinou a ser discordante, mas eu não gosto de discordar de quem eu idolatro, é essa minha índole reprovável, monstros no armário.

É difícil dizer se a Chicomania é exagero, tem tanta gente com menos mérito e mais aprovação, isso acontece em todas as áreas. O que faz o mito do Chico acho que é a convergência de muitos fatores. Como alguém disse certa vez, no Brasil sempre foram os cantores populares que fizeram o papel de formadores de opinião, ao invés dos intelectuais. Abrindo grandes parênteses, taí o terror opinativo que é gerado pela nossa música brasileira atual, o inferno é aqui, mas enfim. De certo que o Tom Jobim foi muito, mas muito mais músico que ele, mas parou por aí (sacrilégio tremendo de minha parte). Precisava do Vinicião poetinha pra letrar as músicas dele, esse sim um baita dum oportunista malandrão, segregador de mulher. Assim como o Chico letrou "João e Maria", que é do Sivuca, esse sim, músico fodido, um tremendão. O Chico é intelectual? Acho que não. O pai dele era? Acho que sim. Como é que eu comecei este parágrafo mesmo?

Sempre achei que quem cagou o Los Hermanos foram os fãs da banda. O problema do Chico hoje não é bem recato, ou melhor, reclusão, é alguma outra coisa. Sim, há um problema. Mas não dá pra simplesmente esquecer de quem ele é. Ou pelo menos foi. Acabou que eu acabei e não discordei de ninguém, o BH acha ele bom, eu também, assim posso dormir tranquilo. Bom mesmo era a Undaddy! Você, Ben-Hur, uma vez prometeu disponibilizar umas gravações da Undaddy, lá na comunidade, eu ainda lembro! Saudade daquela época! Eu lembro de tudo que você fala! Você é que não quis cuidar do meu amooor!

Prometo queimar todos os meus livros da Abril Cultural!



Os já citados Noel Rosa e Cartola acabaram de sair na coleção de raízes da música brasileira da Folha de São Paulo, dá pra fazer uma comparação perfeita com a coleção de jazz. A escolha das músicas e das versões dos CD's é bem estranha, não me agradou muito, não. Tirando uma versão de "As Rosas Não Falam", cantada pelo Nelson Gonçalves e metralhada pelo violão do Raphael Rabello. Coisa de outro mundo! Agora, a questão que fica é: ler o encarte vai te fazer mais inteligente? :]

Tô só brincando por aqui. O melhor era ir todo mundo junto ver o show do Hermeto mesmo!!! Que já era livre antes da lei do ventre livre, e até da lei do sexagenário! Extra! Extra! Extraordinário!

Hífen disse...

todo mundo gosta do chico,
quase todo mundo gosta dos los hermanos e ninguém que eu respeito gosta de legião urbana.

e o problema é o que o Brunin - que é maior que o Brunão - ressaltou: OS FÃS.

fanatísmo sempre foi bom só pra dar merda. até mesmo os fãs de hermeto (fanáticos) são muito chatos. Quem tem consciencia das coisas tem que tomar mais cuidado dos que os leitores da abril e compradores de coleções da folha de sp: sempre tem alguma coisa boa no lixo e sempre tem veneno no chocolate.

por exemplo a consideração que o bruno me demonstrou, que aliás fico todo abixalhado aqui na cidade cinza, onde ninguém me elogia e eu ando ouvindo NOFX nos ônibus com meu novo moicano e celular que tem até internet - ou seja - mais uma vez os punks me odeiam e os pops me acham nojento, mas isso não vem ao caso... ou vem né...

o chico deve ter por um momento ter se sentido "chupetado" pelo público. tendo ele muito mais consciencia do que o ufanismo poderia causar na vida dele, resolve dar uma de dificil.

o problema não é a posição do cara.
o problema como apontou de modo muito mais eficaz e prático o nosso amigo bruno é que o PUBLICO vai lá e acha que o cara é PERFEITO.

já to escrevendo no modo caótico.
esse blog tá muito massa de comentar!

o rafa escreve uma parada e fomenta conversas Tezão demais!

só não deixar de comentar: ler o encarte é melhor que escutar o cd!
eu li achei massa. mas mesmo assim, só pros que vc nunca ouviu falar. pra conhecer a historia do jazz sem fazer muito esforço eu indico o documentario do estadunidense Ken Burns chamado Historia do Jazz, que no Brasil por mais inacreditável que possa parecer saiu pela GLOBO!!!
eu tenho aqui os 4 dvds e se for o caso eu até ripo e boto num coiso pirata pra compartilhar com a galera. mas deve ter no torrent, quem quiser e nao achar me dá um toque.

Rafael Zanatta disse...

To extremamente contente pela progressão da conversa. Bruninho e Ben-Hur desenvolveram legal o raciocínio e praticamente criaram teses (dignas de publicação acadêmica, somente sendo necessário algumas referências científicas - chatisses da universidade) sobre o inexplicável culto ao chico.

Eu não guento o humor do Bruninho! Tem umas sacadas na escrita muito foda! Ex: Tirando uma versão de "As Rosas Não Falam", cantada pelo Nelson Gonçalves e metralhada pelo violão do Raphael Rabello. Coisa de outro mundo!

HAEHAEHUEHUOAHEUOEH

Só você mesmo.

E a discussão continua. Quero ler a posição de algum Chicólatra (chamem as mães, por favor)!

Hífen disse...

minha mãe como a maioria das mães acha o chico "um pão" e seus comentários aqui fariam realmente a conversa pegar fogo.

ia dar um xingando a mãe do outro, literal e diretamente!

Bruno Vicentini disse...

Minha mãe destoa, ela é adepta daquele disco do "Seu Francisco", do Oswaldo Montenegro (sim, do Oswaldo, só não sei se o Ney tem um homônimo). Aliás, pra gostar assim do Oswaldo Montenegro só as mães (sua mãe também é fã que eu sei, Rafa) e o Guigo! AUAHIUAh!

O Ben-Hur falou muito certo sobre o fanatismo e me deixou aqui imaginando os fãs de carteirinha do Hermeto Pascoal. Deve ser uma galera pé-no-saco mesmo. O foda é que o Hermeto talvez seja hoje o maior músico do mundo inteiro, sem nenhum exagero. Se você quer uma tese acadêmica, Rafa, boa sorte pra tentar explicar o fenômeno dos caras/bandas legais com fãs insuportáveis. E por falar em veneno no chocolate, tô mandando um 70% cacau aqui logo depois do almoço que tá bom pra carai! Pequenos prazeres da vida.

BH, meu velho, não liga pros punks/populares de Curitiba, aqui em Maringá você sempre foi muito querido. É efeito colateral daquele leite quente que eles tomam! Dia 20 tô aí pra gente tomar umas cervejas juntos nessa cidade fria do cão. "Desce mais uma gelada que gelado é meu coração..." Eu entendo perfeitamente a tal da escrita em modo caótico! HAUIHAUI! Acontece comigo, nos filmes e na vida real.

Essa espécie de chat nos comentários é coisa de blog grande, eim! Seu blog tá muito bom mesmo, Rafa, pena que eu não sou nenhum responsável em premiar os blogs locais. Mas ficam aqui meus parabéns!

Abraços!

Guilherme de Paula disse...

Oloco

O Ben-Hur me avisou desse papo louco aqui...

pq ele se chama de Hifen, agora? Cansou do BH, será? ou pq se sente no meio do caminho, meio no centro do que ele acha que deve ser o nome dele (que ganhou 12 Oscar)...


Eu não posso falar se eu gosto ou não gosto dos fãs do Chico ou dos LH. Eu não gosto de falar de música com muita gente. Se a gente parar e excluir quem comentou aqui no blog do Rafael, a quantidade de gente com quem eu tenho algum saco pra falar sobre música reduz ainda mais.

Não conheço, portanto, os fãs do Chico, ou dos LH. Não o suficiente pra gostar ou desgostar de alguma coisa que eles tenham em comum. Acredito, no entanto, que a coisa não deve ser tão homogênea assim também.

O que eu conheço é a obra deles.

E especificamente do Chico tenho a tese, o Bruninho sabe, de que se trata de um compositor decadente. E ainda assim, o maior [dos que eu conheço, pelo menos]que já escreveu em língua portuguesa (a única que acredito dominar suficientemente bem pra cravar rankings de qualidade).


Acho mesmo que o grande problema do Chico foi ter chegado chutando a porta já sem primeiro disco. [Eu sei que essa discussão é polêmica, porque até quem gosta dos Mamonas consegue gostar mais de um disco do que de outro (?!), imagina de um cara que tem uma produção tão gigante.] Mas sou mais ou menos convencido de que o primeiro álbum dele é o melhor da carreira, e que a partir dali gozou de bons ou maus momentos, alguns exageros estilísticos, algumas ousadias demodês, e um bilhão de coisas brilhantes, mas ainda distantes de Tem Mais Samba, A Banda, Pedro Pedreiro, A Rita, Ela e Sua Janela, Olé Olá, Juca -> sobretudo do que elas significam, juntas, em um disco de samba que abre portas....

Não acho que dê pra entender canções separadas de um contexto artístico específico (isso pra não dizer o óbvio de que há de se entender o tempo no autor e o autor no tempo) e acredito que, em boa parte das vezes a partir dos anos 90 que Chico ousou escrever canções (e pasmem, livros!) ele acabou caindo num cover de si mesmo. Confesso, não me empolgou. Não chegou, porém, nem perto de ser ruim.

Eu acho que há um grande problema na maneira que eu, pelo menos, conheci o Chico, que foi através de coletâneas. Isso acabou tirando um pouco do brilhantismo do primeiro trabalho, que só fui entender, pelo menos de um jeito que eu julgo mais sincero, bem depois.

O processo de ouvir canções soltas também acabaram superestimando alguns trabalhos, como Apesar de Você, Chame ladrão, Meu Caro Amigo, entre outras, que no meio de tanta coisa que saiu naquela época, eram bem regulares, pra não dizer mais-do-mesmo.

De qualquer maneira, mesmo as breguices, as chatices, os clichês do Chico tem um peculiar talento que é a sutileza árida com que ele trabalha. Isso acredito ser a sua qualidade principal. E é por isso que ele nunca vai soar falso.

Pode soar cover, mas sempre de si mesmo. O que é mais ou menos ruim, mas pra fãs como eu, é uma ode à sua eterna qualidade.

Bruno Vicentini disse...

Quem chamou o Guigo? Assim não vale! É covardia! Eu assino embaixo de tudo que você falou, mesmo você tendo virado fã do vice-campeão do American Idol! (E isso é assunto pra uma outra discussão.)

Guilherme e eu passamos muito tempo já falando sobre esse primeiro álbum do Chico. É bem por aí, o cara chegou metendo o pé na porta, ninguém mais chegou com tanta moral, pode pegar o primeiro disco de quem for. Tanto que a decadência dele pode ser quem sabe classificada como acidental. Até "A Banda", que virou panfleto e todo mundo cantou, durante décadas, sempre que alguma professora do primário ia falar de ditadura, não perde força ou beleza numa audição recente. Como não decair de um álbum daqueles? Qualquer coisa seria menor. Não foi só você, Guigo, que conheceu o Chico nas coletâneas, eu também e acredito que toda a nossa geração (se é que eu me incluo na geração de vocês ou vocês, mestres, na minha). A descoberta do que era o primeiro disco dele ocorreu pra mim mais ou menos na época das nossas conversas.

Você acertou na mosca, o último livro dele por exemplo, não empolga, mas ele não cagou o livro, não dá pra dizer que é ruim. O fim do seu comentário é tão bem feito que qualquer coisa que eu escreva aqui vai soar como um trabalho tardio do Chicão. Na melhor das hipóteses. :]

Porra, cara, mó saudade! Esses dias trombei um Saulinho magro lá na UEM, faz anos que a gente não sai junto, vamos combinar de jogar uma peladinha e arremessar aquelas tampas de tigela! Forte abraço!

Dani Ricardo disse...

Adorei esse post sobre o Chico!
O cara é um grande poeta e merece todo o respeito e admiração.
E é terrivel vc presenciar hj em dia as pessoas idolatrando essas merdas que surgem a todo momento...Salve salve a boa música!

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