Internet: empoderamento ou censura?

A Royal Society of Arts (RSA) - instituição secular britânica que já teve como membros Benjamin Franklin, Karl Max, Adam Smith e Charles Dickens - publicou mês passado mais uma fascinante animação com base numa palestra ministrada há dois anos pelo escritor bielorrusso Evgeny Morozov, que lançou esse ano o instigante livro "The Net Delusion: the dark side of internet freedom".

Nessa palestra, "The Internet in Society", Morozov lança um ataque aos "ciber-utópicos", aqueles que crêem ingenuamente na natureza emancipatória da comunicação on-line, negando (com teimosia) o reconhecimento de seu lado negativo: o potencial favorecimento dos opressores, ao invés dos oprimidos.

Na introdução de seu último livro, o argumento fica bem exposto: "Cyber-utopians ambitiously set out to build a new and improved United Nations, only to end up with a digital Cirque du Soleil. Even if true - and that's a gigantic if - their theories proved difficuld to adapt to non-Western and particularly nondemocratic contexts. Democratically elected fovernments in North America and Western Europe may, indeed, see an Internet-driven revitalization of their public spheres as a good thing; logically, they would prefer to keep out of the digital sandbox - at least as nothing illegal takes places. Authoritarian governments, on the other hand, have invested so much effort into supressing any form of free expression and free assembly that they would never begave in such a civilized fashion. The early theorists of the Internet's influence on politics failed to make any space for the state, let alone a brutal authoritarian state with no tolerance for the rule of law or disseting opinions. (...) Failing to anticipate how authoritatian governments would respond to internet, cyber-utopians did not predict how useful it would prove for propagand purposes, how masterfully dictators would learn to use it for surveillance, and how sophisticaed modern systems of Internet cersorship would become. Instead most cyber-utopians stuck to a populist account of how technology empowers the people, who, opressed by years of authoritatian rule, will inevitably rebel, mobilizing themselves through text messages, Facebook, Twitter, and whatever new tool comes along next year. Paradoxically, in their refusal to see the downside of the new digital environment, cyber-utopians ended up belittling the role of the Internet, refusinf to see that it penetrates and reshapes all walks of political life, nor just the ones conductive to democratization" (p. 13-14).

Em certo momento de sua fala, conquistando alguns risos da plateia, Evgeny alerta que há algumas décadas, membros do governo precisavam torturar dissidentes políticos para conseguir informações sobre pessoas envolvidas práticas políticas de caráter oposicionista, hoje basta ler seus tweets e verificar quem são seus amigos no Facebook.

Evgeny não expõe o panorama do futuro da democracia numa sociedade cada vez mais conectada e virtual, mas dá um importante recado aos ciber-utópicos (aqueles que acreditam que a cultura da internet é emancipatória por si mesma) e internet-centristas (aqueles que acreditam que as importantes questões da sociedade podem ser colocadas em termos de internet): sejamos realistas.

Um comentário:

Marcia disse...

Rafa,

Excelente analise e indicação de leitura. Assim como Morozov discute a questão da internet em relação a suas possibilidades e perigos. O Prof. Boaventura de Sousa Santos fez neste ano uma excelente reflexão e convite no Forum Social Mundial em Sengal sobre como acessar em tempos de internet os que não são acessados? ou seja, como chegar nas populações desorganizadas??? precisamos avançar.....cuidar dos pensamentos elitistas que nos distanciam e podem criar uma ilusão sobre que mundo nos realmente temos. Bjs

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