São Paulo em cinco canções

Prefácio (des)interessantíssimo
Hoje, 25 de janeiro, é aniversário de São Paulo. Ela faz 457 anos de idade, 394 a mais que minha cidade natal, a "cidade canção" Maringá - uma covardia.

Minha relação com a terra da garoa é muito nova, mas creio que já "sei de coisas lindas, singulares, que a Paulicéia mostra só a mim", parafraseando Mário de Andrade - que inspira o texto desde o título do prefácio. Ano passado, conheci de verdade a cidade (e as divisões que esta se permite) e comprovei o alerta do jovem explorador veneziano Marco Polo - em Cidades Invisíveis de Ítalo Calvino - de que jamais se deve confundir uma cidade com o discurso que a descreve. Portanto, não falarei de São Paulo. Não há utilidade em elaborar um discurso descritivo para um lugar de tantos mundos e diferentes percepções.

Nesse espírito de admiração, expectativas (pois a cidade será meu lar nos próximos dois anos) e incapacidade para resumir em palavras os sentimentos contrastantes que me cercam quando penso em São Paulo, deixo a impossível tarefa de falar sobre a cidade para os poetas e músicos.

Segue então uma lista de cinco canções, com perspectivas singulares e distintas, sobre essa superlativa  (e ultimamente fluvial) cidade.

1. "Sampa": o clássico dos clássicos sobre a capital paulista; uma sublimação poética musicada pelo baiano Caetano Veloso, um dos maiores compositores do século XX.



2. "Augusta, Angélica e Consolação": o fato de eu ir morar na Rua Augusta já seria um motivo suficiente para eleger essa música, mesmo se fosse ruim. Ocorre que ela é genial, um dos melhores sambas de Tom Zé com uma letra riquíssima que brinca com as ruas como se fossem mulheres.




3. "Lá Vou Eu": A sutil visão urbanista de Rita Lee é inspiradora no começo da canção (Num apartamento / Perdido na cidade / Alguém está tentando acreditar / Que as coisas vão melhorar) e conclui com um refrão magistral sobre a imprevisibilidade do amor e do céu paulistano (Na cidade de São Paulo / O amor é imprevisível como você / E eu / E o céu).



4. "Samba do Arnesto": a nata do samba paulistano, elaborada por um legítimo filho de imigrantes italianos. Mesmo sem necessariamente falar da cidade de São Paulo, só pelo fato de conter o tradicional sotaque das ruas (Nós fumos não encontremos ninguém / Nós voltermos com uma baita de uma reiva / Da outra vez nós num vai mais / Nós não semos tatu!) já é um clássico digno de nota. Se houver um samba no Brás, desconfie. Adoniran Barbosa conta a história.



5. "Triunfo": Precisa de algo mais paulistano que "a rua é nóiz"? Emicida é a cara e a voz do rap de São Paulo hoje. (Ser MC é conseguir ser H ponto aço / No fim das contas fazer rima é a parte mais fácil / Já escrevi rap com as ratazana passeando em volta / Tio! goteira na telha, tremendo de frio / Quantos morreu assim e no fim quem viu!? / Meu, cês ainda quer memo ser mais rua que eu!?). É a realidade que a elite finge não ver.

4 comentários:

Bruno Vicentini disse...

cara, eu troco FÁCIL "Samba do Arnesto" por "Trem das Onze"! mas fácil mesmo!

até concordo com as outras músicas da lista, mas faltou o que não podia, "São Paulo, São Paulo" do Premeditando o Breque, porra, lavar o carro comendo um churro é bom pra burro! então acho que pula a rita lee.

desculpa me meter, mas é que tô lendo "Alta Fidelidade", esse negócio de fazer lista de 5 é realmente bacana e tá na minha cabeça no momento.

abraço!

Rafael A. F. Zanatta disse...

Quando fiz a lista o Cesão falou a mesma coisa aqui em casa: "Trem das Onze" é muito mais São Paulo.

Mas é que a animação (e a tiração de sarro) de Samba do Arnesto fez com que ela entrasse.

Acho que "Sampa Midnight" do Itamar Assumpção merecia o 6º lugar.

Quanto ao Premeditando o Breque, não entrou porque não conhecia. Mas ouvi agora. Hilário. Inspiração em Sinatra!

Bruno Vicentini disse...

Itamar com certeza, mas não em 6º talvez, antes dele tem que vir "Ronda" do Paulo Vanzolini que você também deixou de fora! Ou "Praça Clóvis", por mim iam as duas, mas aí já é sacanagem.

E depois aquela música do motoboy do Pedro Luís e a Parde, esqueci o nome!

Marcia disse...

Rafa,

Quando fui passar alguns dias em São Paulo com o William, lembro-me que a materialização de São Paulo para leva-la a vc (se é que isso foi possível), foi por meio de uma camiseta referindo-se ao Trem das Onze, ou seja, está no nosso imaginário mesmo.ahahah. Meu amor, sinto que vc esta muito feliz e encantado com essa cidade e vc tem muitas razões para isso, ainda mais quando vc tem a feliz lembrança de sua passagem por Londres. São Paulo é encantadora, até hoje o William quer morar lá. Mestrado (como o seu) ou doutorado (como do William) em lugares assim, mexem muito.ahahahahha. Vcs nunca mais serão os mesmo.... beijos e sucesso em sua nova casa.

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