Alegria, whiskeys e choro


Essa semana foi intensa. Além das farras de carnaval na beira do rio, tive uma bateria de festas de formatura das turmas de Direito da Universidade Estadual de Maringá. Foram três noites incríveis. Jantar da turma 02 na quinta-feira, baile da turma 01 (minha antiga turma) na sexta-feira e baile da turma 02 no sábado, fechando um ciclo de sentimentos aflorados, famílias reunidas, amigos embriagados de whiskey e choradeiras de despedidas.

Essas formaturas tem um significado importante para mim pois, apesar de não estar me graduando, acompanhei de perto a trajetória desses rapazes e moças no bloco D-34 da UEM nos anos em que fui colega (os três primeiros anos de graduação -2005 a 2007) deles.

No mais, presenciei como observador os dramas do último ano da faculdade, quais sejam: monografia, disciplinas novas, exame da OAB e a estranha sensação de tudo estar chegando ao fim.

E o fim chegou.

É hora então de buscar algum significado para tudo isso, mesmo que minha experiência não tenha sido empírica, mas sim vicária - ao analisar o comportamento dos assim chamados "neo-graduados".

Bom. Muito embora a solenidade de formatura seja apenas mais um produto de consumo (nos padrões em que é realizada hoje, amplamente explorada pelo rentável mercado de empresas de organização de eventos), é certo que tal evento gera nos atores euforia e satisfação carregada de emotividade.

Ainda é cedo para reflexões críticas sobre o significado de formatura, formar ou mesmo da palavra forma no sentido aristotélico (a realização da essência de algo). Aposto que poucos pararam para pensar a respeito, pois vieram e estão num ritmo ainda muito agitado, sem tempo para largar todas as preocupações cotidianas e simplesmente buscar respostas. Ou melhor, fazer as perguntas certas.

O que se viu nessas duas noites (uma no Moinho Vermelho e outra no Montserrah) por parte dos formandos foi uma tensão, ou um choque, de sentimentos.

Ao mesmo tempo em que havia a sensação de dever cumprido, de cruzar a linha de chegada numa maratona com os aplausos dos espectadores (que no caso, eram os familiares e amigos que estavam lá para comemorar - incluindo aqueles que vieram de locais distantes), havia o medo de ter se tornado um bacharel em Direito (e a conseqüente necessidade de definir a carreira em alguma área específica no amplo mercado de trabalho, somada à expectativa de todos os que ofereceram estrutura financeira para a graduação numa universidade pública) e o sentimento de perda coletivo, pois de fato (e não quero exagerar nas expressões) a festa de formatura é também o velório de uma turma que viveu cinco anos juntos.

Assim, o que no início da festa era euforia, farra, bebedeira com Johnnie Walker (ou Jack Daniels, como preferiu meu grande amigo Michel) e energético e abraços de "parabéns", aos poucos foi se transformando em algo sutilmente melancólico, com aquela inevitável nostalgia antecipada dos tempos de universidade em todos os formandos, junto aos longos abraços de despedida dos colegas.

Alguns se conformavam e estampavam sorrisos com seus brindes. Outros, já abalados pelo nível de álcool na corrente sanguínea, não aguentavam a pressão psicológica e caíam em lágrimas.

Enfim, a formatura é mais ou menos isso.

Uma noite memorável para cada graduado e uma festa enorme para os pais, que enfim olham os seus filhos de outra forma: como profissionais, adultos, independentes.

Os filhos forçadamente assumem tal postura, porém repletos de dúvidas, eis que são jovens de classe média vivendo num mundo em constante transformação.

Quanto a mim, fica o reiterado sentimento de saudade dos colegas de turma (já expressado num texto publicado em maio de 2008) e a angústia progressiva de saber que esse ano também é o meu fim.

2 comentários:

Prisci disse...

Quem me vê olhando para o computador, no estado em que me encontro, (gripada) deve imaginar que estou chorando. Hoje, porém, algo raro está acontecendo comigo: minhas glândulas lacrimais não estão exercendo sua função - percebi isso ao longo da manhã e-he.

Não que esse texto não mereça. Se fosse eu, na situação desses seus colegas, estaria chorando rios, independente de disfunção qualquer. Terminar um curso de graduação, eu imagino, é uma daquelas sensações únicas, que a gente procura descrever, mas nunca consegue fazer o outro entender nossos sentimentos. Eu, com a mania de me preocupar com antecedência, às vezes me pego pensando como será o fim desse ano... Sabe o que eu faço? (corajosa como sou) Desvio o meu pensamento. hehe

Você é especial, Rafa. Você é um amigo valioso. Tenho muita sorte.

オテモヤン disse...

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