#marchadaliberdade

As diversas atribuições acadêmicas no Largo São Francisco (delimitação do objeto de estudo em direito e desenvolvimento, fichamento de artigos científicos, leitura da última obra do Dworkin, organização dos seminários da graduação, etc) tomaram meu tempo nos últimos dias. O blog ficou parado, com exceção de um breve texto comentando uma matéria escrita por uma amiga jornalista. Estou em débito com os leitores, pois nada escrevi sobre a bela Marcha da Liberdade que ocorreu no último sábado do mês de Maio - acontecimento este que merece uma reflexão bem formulada (a qual serei incapaz de fazer).

Não farei um relato sobre como foi, quais eram os reais objetivos e qual foi a sensação de marchar por uma democracia substantiva junto a mais de três mil pessoas na Avenida Paulista. Acho que o Felipe Floresti e a Priscila Costa já fizeram isso muito bem.

Enganam-se os que pensam que a Marcha da Liberdade foi uma reedição camuflada da polêmica Marcha da Maconha. Nada disso. Foi uma manifestação contra a repressora polícia de São Paulo e contra a censura, em especial após a decisão irracional e inconstitucional de um certo desembargador (as cinco da tarde de uma sexta-feira) que proibiu a caminhada pró-liberdade de expressão.

Como bem analisou Priscila, um dia depois: "A Marcha da Liberdade foi um grito contra o sufoco de todos. Contra o sufoco de qualquer um que indigna-se com qualquer coisa. Somos cidadãos que contribuem para um Estado que insiste em não responder e em corromper. Mas ontem mostramos que estamos aqui. E vamos sair às ruas, se preciso. Porque paciência tem limite e esse descaso logo há de rompê-lo".

Além de um grito contra o sufoco, foi também uma celebração pacífica à la 68, com direito a música (maracatu), flores (muitas flores!) e dança ("quem não pula quer censura!"). Mais ainda, foi uma demonstração de que há sim um movimento global (no Egito, Tunísia, Espanha) com voz e atitude, independentemente de estrutura organizacional formal.

A Marcha da Liberdade não tinha como escopo mudar o mundo, mas sim mudar mentes. Eis o seu mérito.

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