Rockingá: fatos e notas da primeira noite

Muita gente saiu de casa após um abafado dia quente e se surpreendeu com os fortes ventos gelados que sopravam na Avenida São Paulo. Por tal motivo, boa parte daqueles que chegaram entre oito e nove horas da noite no Fernandes Bar, voltaram até suas residências (ou carros) para buscar uma blusa e aproveitar o Rockingá, que começou com um pouco de atraso.

O bar foi estava cheio quando a banda Dream Cake (com sua graciosa baixista) iniciou sua apresentação lá pelas 21h. O grupo faz um indie rock bacana com influências anglo-americanas. Infelizmente, o microfone estava um pouco baixo, sendo difícil de ouvir o que estava sendo cantado. Depois deles, o The Junkies tocou o tradicional punk-rock três acordes (a la Ramones) que faz há anos em Maringá. Até esse ponto, muita gente se concentrava fora do bar, com algumas mesas dentro, ocupando o local. Já nesse horário, os garçons tinham dificuldade em se movimentar e servir todas as mesas.

Um pouco antes das 22h, ficamos sabendo que alguém tinha arrombado o Voyage do Vinnie (Let's Rock/Bandidos Molhados) e roubado seu case de guitarra e vários pedais de efeito. A apresentação de sua banda, o Let's Rock, atrasou em razão do boletim de ocorrência registrado e das tentativas de localizar a guitarra nas proximidades do bar. Como era de se esperar, ele ficou abatido, mas mesmo assim subiu ao palco (com minha guitarra emprestada) um pouco antes das onze da noite e fez uma apresentação agitada com sua banda, com um som bem retrô que animou os presentes.

Antes de onze e meia, Fábio e Coy plugaram suas guitarras e iniciaram a apresentação da banda Copacabana Pé Vermelho, com uma brilhante mistura de timbres, linhas de baixo consistentes e letras inteligentes (cantadas em coro pelo público ali presente) como "O Álcool e o Tempo".

Durante o bom som do Copacabana, o pessoal começou a enfrentar alguns problemas com o bar, além do frio, que só aumentava. A venda de garrafas ficou limitada às mesas, sendo que existiam poucas mesas para o número de pessoas presentes no local. Para muitos, a cerveja em lata (não tão gelada) acabou sendo a última opção.

Na última música da apresentação do CPV, um senhor de camisa vermelha roubou a cena, dançando livremente em frente ao palco, sendo muito aplaudido pela banda e pela galera dali. Mais ou menos durante tal divertida cena, uma viatura da polícia encostou na esquina no bar, gerando preocupação na galera. De repente, salta do banco de trás da viatura um cabeludo gritando: "Acharam minha guitarra, porra!!". Era o Vinnie, completamente faceiro com a ágil ação da Polícia Militar, que interceptou o criminoso que havia furtado seus instrumentos musicais. 

A partir de então o clima entre os músicos ficou melhor. Recuperar uma guitarra roubada é quase missão impossível, ainda mais na mesma noite. A Polícia Militar de Maringá fez um bom trabalho.

O Copacabana saiu aplaudido do palco. Como escreveu o Andye: "O Copacabana Pé Vermelho continua surpreendendo e ganhando cada vez mais público. E lamentamos pela banda não ter podido tocar mais pela escala de horários, já que a banda estava empolgada e público curtindo". Realmente, uma pena. Estamos pensando em marcamos um show juntos (CPV & Nanan), em razão da proximidade de estilo das duas bandas.

Quando foi meia-noite, plugamos a guitarra, baixo, violão e gaita e começamos nosso som (ou melhor, do Nanan). Não sei se foi por causa do frio ou se foi pelo número de amigos da banda, mas o espaço interno do bar ficou completamente lotado logo na primeira música, "Casa da Esquina". A guitarra estava muito alta, impedindo que a galera ouvisse a voz do Renan. Só na segunda música ("Pescador") consegui consertar tal defeito de equalização sonora, deixando as coisas melhores.

Quando mandamos "Pra Te Alegrar", que tem uma pegada mais blues com gaita, o lendário tiozinho de vermelho roubou a cena  novamente com um parceira de dança de salão, remexendo loucamente o esqueleto ao nosso som. Não dava pra saber se eles estavam chapados ou se eram loucos naturalmente, mas, de qualquer forma, marcou a noite (e como disse hoje a @rannah_naja: show do nanan ontem no fernandes foi épico! grande parte do mérito é do casal de dançarinos inspiradíssimos, deviam ser contratados).

O repertório seguiu com as outras músicas do Nanan ("Pitoca, Pitoquinha", "Vai Dizer", "Clube dos Magrelos"), mesclando com duas covers, "Guiné Bissau, Moçambique e Angola" e "Maracatu Atômico", quebrando um pouco a proposta do festival de tocar somente músicas autorais. Mas, em se tratando de um set inteiro, a banda considerou tocar duas músicas de outros artistas para animar um pouco mais a festa, mesmo sem qualquer ensaio (de fato, não ensaiamos há alguns meses - o que era visível, pelo menos para os outros músicos).

Na "Sem Sentido", rolou aquela introdução cheia de efeitos e confusa (inexplicável num texto como esse), que deixa todo mundo de orelha em pé. Uma pena que o vocal do Renan estava realmente baixo, pois sua voz é a levada principal da música. Senti que o instrumental estava encobrindo a melodia de suas cordas vocais.

Fomos avisados então que a cerveja do bar tinha acabado, um fato inesperado. O show não poderia continuar por muito tempo. Nanan mandou a preferida de muitos de seus amigos, a (dantesca) história de "Um Sonho Que Tive", que foi inspirada num sonho em que Renan morre, vai para o purgatório e, enfim, para o céu.

Fechando a apresentação, a banda tocou a sentimental "Morena", cantada por muitos que já conheciam a música através das versões de voz e violão. No meio da canção, Renan agradeceu a presença de todos os que esperaram na gélida noite para curtir a banda. Agradeceu as bandas e também a organização do festival, por fazer um evento gratuito.

Encerramos o show minutos depois de uma hora da manhã com a galera pedindo mais, uma sensação gostosa. Mas desplugamos, pois já era tarde e não queríamos atrapalhar os shows da Inimitável Fábrica de Jipes no Porto Café e do Nevilton e Prof. Astromar no Tribo's, que estavam prestes a começar.

No final da noite, descobrimos que o evento não era tão gratuito assim. Muitos falaram que o bar estava cobrando a mais pela cerveja, com a desculpa de que a taxa a mais era por causa de um suposto couvert artístico que não existia (a não ser que você considere 14 latas de cerveja como cachê, que não soma nem quinze reais).

Sacanagens à parte, o evento foi um sucesso de público e de diversão. Muita gente bebeu, dançou, deu risada e curtiu um som autoral das cinco bandas presentes no primeiro dia de festival.

Em nome da banda, eu agradeço novamente todos os(as) amigos(as) e conhecidos que deram uma força e foram nos ver na noite de ontem. Muito obrigado.

E o rock não para. Hoje tem mais Rockingá.


Será que a (sobretaxada) cerveja acaba novamente?

4 comentários:

raoni disse...

ué, mas vocês não tocam pavement?! eahhaeheaheaheahhea

Rannah disse...

O cara foi conversar comigo e com o Bruno no fim da noite e, pra nossa surpresa, era professor universitário (de geografia, se bem me lembro). E eu achando que era um doidão da rua... HAHAHAH

Andye Iore disse...

Valeu Rafael pela divulgação do evento e apresentação de vcs. Vamos retomar o trabalho por aqui e logo escrevo no blog sobre a questão da cerveja e sobre o festival no geral.
O "retorno" para as bandas não deve ficar só naquelas latinhas. Logo falo com vcs e com as outras bandas tb.

Rafael Zanatta disse...

Rannah, acho que o cara encarnou o Milton Santos e passou um migué na galera. Ou ele é professor de Geografia mesmo!

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