Sob o domínio do mal

Na última sexta-feira, no jornal Gazeta do Povo, saiu a surpreendente matéria sobre Fábio Elias, rockeiro veterano paranaense (líder da banda Relespública), que "abandonou" o rock n' roll e decidiu dedicar sua carreira para a música sertaneja, após lançar o disco "Me Dê Um Pedaço Teu", produzido por experientes arranjadores do sertanejo.

Foto: Marcelo Elias (Gazeta do Povo)

A guinada é inacreditável. Do rock de garagem ao sertanejo universitário (!).

Segundo a reportagem, "Elias afirma que a verdadeira Música Popular Brasileira (MPB) é a música sertaneja, “e não rock nem a música feita na zona sul do Rio de Janeiro”. A afirmação parte da seguinte premissa: o brasileiro, diz o músico, canta as letras das músicas sertanejas. “O brasileiro quer a alegria do sertanejo”, diz.

As 13 canções do álbum Me Dê um Pedaço Teu tratam, de maneira geral, de amor e dor. “São histórias que eu já vivi, ou que poderia ter vivido”, comenta. Aos 34 anos, depois de alguma quilometragem, coração partido muitas vezes, ele se considera maduro para cantar esses textos românticos e sentimentais."

Faço questão de colocar dois vídeos (um da banda Relespública, de 2009, e um de agora, da carreira solo), para você ter noção da gravidade da situação:




Parece piada, não? Mas não é. A mudança é séria, pra valer, e ao meu ver, reflete o poder da indústria sertaneja no Brasil em 2010.

Poder este cada vez mais explícito, seja pela invasão do então chamado Sertanejo Universitário em toda e qualquer festa (formaturas, churrascos de faculdade, carnaval de rua), seja pelo domínio do gênero nas rádios populares, programas de televisão, trilhas sonoras de novelas, ou todo e qualquer meio de comunicação social, incluindo a internet, com milhares de blogs de música voltados para o download de discos de música sertaneja.

Pois bem. Esse assunto (o da "invasão" sertaneja) é riquíssimo e pode gerar excelentes reflexões sobre indústria cultural, marketing ou sobre a própria cultura brasileira, e não sei se muita gente tem parado para pensar a respeito.

Na verdade, a discussão é confusa, pois a própria definição do que é música sertaneja é incerta. Portanto, faço uso das distinções formuladas por José Zan (Professor de Música da Unicamp), conforme artigo entitulado Desterritorialização e novos hibridismos na música sertaneja, distinguindo a música sertaneja em três grandes movimentos: (i) Sertanejo raiz (primeiros registros fonográficos após o trabalho pioneiro de Cornélio Pires, registrando sons tradicionalmente regionais como Alvarenga & Ranchinho, Tião Carreiro & Pardinho e Tonico & Tinoco, através de gravadoras menores, ou sub-divisões regionais das grandes gravadoras); (ii) Sertanejo pop/brega (registros fonográficos produzidos pelas grandes gravadoras na década de oitenta, como Polygram, Sony, Warner, com alto investimento na imagem dos artistas que migravam do campo para a capital, tais como Xitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo, Zezé di Camargo & Luciano, mesclando elementos de música de massa como baladas românticas e country music, com alta rentabilidade para as empresas do mercado); (iii) Neo Sertanejo/Sertanejo Universitário (registros fonográtcos produzidos pelas grandes gravadoras nesta última década, com altos investimentos em marketing, produção dos artistas com mega-bandas e veiculação intensa nos horários nobres de rádios e outros meios de comunicação, descaracterizando a imagem do "caipira" para um público cada vez mais urbano e com formação universitária, como se denota nos fãs de Victor & Leo, João Bosco & Vinícius, Luan Santana, Jorge & Mateus, e outros, utilizando-se de melodias repetidas, geralmente com quatro acordes, refrões simples, fáceis de memorizar, e uso de instrumentos elétricos, bem como bateria e percussão, mesclando sertanejo com pop e até mesmo axé).

Além dos três tipos citados por Zan, destaco aquela que é uma das mais respeitadas modalidades de música sertaneja, o Regional, também chamada de Novo Caipira, segundo alguns pesquisadores (ver: NEPOMUCENO, Rosa. Música caipira: da roça ao rodeio. São Paulo: Editora 34, 2000). Neste sub-gênero, encontramos artistas como Renato Teixeira (que trouxe uma linguagem mais atual para a poesia caipira, sendo regravado por Elis Regina) e Almir Sater, mesclando elementos de MPB com música sertaneja, valorizando a vida rural ao tratar de temas da sua região.

Portanto, falar em Sertanejo pode implicar naquele sertanejo raiz, na qual as modas de viola implicavam em histórias do cancioneiro popular, com alto teor poético rural, valendo-se da qualidade das letras e das melodias da viola caipira. Já neste novo sertanejo, temos a mais pura transformação da música em mercadoria, ao passo em que a música passa circular na esfera dos bens de consumo simbólicos.

Quanto ao marketing, Gustavo de Moura Bastos, em monografia entitulada Jovem música sertaneja: a construção de marca dos artistas sertanejos contemporâneos pela Universidade de Brasília, destaca como os quatro "Pês" (produto, praça, preço e promoção) são trabalhados pelos empresários das duplas e artistas sertanejos. Bastos destaca que o nome da marca leva o nome artístico dos cantores, sendo o estilo musical facilmente percebido. Os artistas do sertanejo universitário apresentam-se bem arrumados, com camisa social, maquiagem bem feita e cabelos cuidados. Quanto à praça, Bastos constata a realização de shows nas regiões em que se encontra o mercado-alvo, ressaltando a imensa quantidade de festas agropecuárias e rodeios espalhados pelo país (Expoingá, uma delas). Para o transporte, sempre há um ônibus pintado com a marca e foto da dupla. Já o preço varia de acordo com a disponibilidade na agenda, mas verifica-se que o mercado sertanejo é o que melhor paga no cenário brasileiro (o que estimula o número crescente de novas duplas em todo o país, em busca de fama e sucesso). A divulgação, ou promoção, ocorre com distribuição de CDs (e isso é fato, pois dias atrás recebi gratuitamente na entrada da UEM um CD de uma dupla sertaneja de Goiás), músicas disponibilizadas na internet e clipes caseiros no YouTube. Bastos ainda aponta que a marca é construída a partir da transformação em celebridade, o que demanda marketing de contato direto com o público.

Sendo a música sertaneja inserida no contexto da indústria cultural, ela é vista não como um instrumento de livre expressão, crítica e conhecimento. Nos dizeres do pesquisador da UnB, "ela é tratada, simplesmente, como um produto trocável por dinheiro. Trata-se de uma cultura simplificada, que gera produtos padronizados para atender as necessidades e gostos médios de um público que não tem tempo para questionar o que está consumindo. Ela se baseia em divertimento e distrição, sem se preocupar com reflexões sobre os acontecimentos da vida. Esta busca pelo prazer é indício de um comportamento tipicamente consumista".

Portanto, meu caro, não sei te dizer se Fábio Elias é leitor de Adorno e Horkheimer (Escola de Frankfurt) e optou conscientemente em fazer parte da indústria cultural ou se este curitibano é um mero fantoche, hipnotizado pelo sonho de ser um ícone da "elite" da música brasileira.

É uma pergunta que faço a você.

E uma outra questão, finalizando a discussão: o que temos hoje é música sertaneja? É, nos dizeres de Pardinho, um trabalho sério?

34 comentários:

Nanan Zanatta disse...

Rafa, pude conhecer de perto o Fandango, maior traço cultural do caiçara paranaense. É muito raiz, cara. Os caras são uma mistura de buena vista social clube (velhinhos pé-de-valsa bem vestidos, rachados do sol) com sertanejo raiz. Mandam um som muito característico com seus violões retos e rabecas. Procure no youtube por "Fandango Superagui"!
Abração!
ps: quanto ao fábio elias, pau no cu daquele filho de uma puta desgraçado

Bruno Vicentini disse...

bom, quando vi a notícia, pensei: alguém vai ter que escrever um texto sério sobre isso. mas não achei que seria você. na minha cabeça, você não ia ter tempo. melhor assim. você tem propriedade pra falar. coloca nas normas da abnt e apresenta como projeto de pesquisa comportamental!

mas é que eu tô com uma vontade de comer coco que não tem jeito!

disse...

ps: quanto ao fábio elias, pau no cu daquele filho de uma puta desgraçado (foi só isso que eu pensei qdo li a notícia tbm) :/

Gabriel disse...
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Gabriel disse...
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Gabriel disse...

Cara, Superagui é muito foda. Nunca fui pra lá mas sempre ouço falar que é realmente um paraíso no migué das brisas. Depois tenho que conversar a respeito com o teu irmão, esse putinho que nunca entra no sistema de mensagens instantâneas.

A respeito desse tal de Fábio Elias (que até então eu, e com certeza mais uma galera por aí, nem sabia que se chamava Fábio Elias) quero mais é que ele se dê super bem, o que eu acredito que seja difícil, porque até quem não gosta de sertanojo se ligou que esse 'single' aí é uma merda. Parece que a voz dele não serve pra cantar essas coisas. Na real sempre achei Relespública uma bosta. Ele que pegue o violão, ou a porra da guitarra, e enfie no cu.
Pelo menos a galera de universiotários é bem mais feliz que o povo rockeiro, e "eu tô cansado dessas fitas de rock que só causam a desunião entre migos" (MEIRA, Thomás) Beijos.

Ps: Sinceramente também sonho em ganhar meu Disco de Feno (1.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000 de cópias) mas nunca me submeteria a isso. A parada é chata, só bagunça no curral.

Fábio CPV disse...

Muito fóda o texto.

Anônimo disse...

Pelo menos a galera de universiotários é bem mais feliz que o povo rockeiro, e "eu tô cansado dessas fitas de rock que só causam a desunião entre migos" (MEIRA, Thomás)

prisci disse...

Quem te falou que a "galera de universitários" é bem mais feliz que os "rockeiros"?(vamos ignorar a parte em que ela/ele nos exclue do povo universitário)E mais: Que fitas de rock são essas que vc e seus "migos" estão ouvindo?

A revolta existe, é bem estruturada e criticar é preciso. Adaptando o que disse bruninho: é preciso haver uma discussão séria. A massificação e esvaziamento da cultura, especificamente da música é uma coisa absurda e triste. Reflete a sociedade. Falar de sexo, amor e traição nunca foi tão banal e descartável.

Valeu, Rafa!

:)

Bruno Vicentini disse...

ô curiosidade pra conhecer os comentários excluídos! AHUAIAUH!

Gabriel disse...

Prisci, querida, não me leve tão a sério. Eu e meus amigos só ouvimos bosta. E acho que você não leu direito, eu escrevi "universiOtários" (hehe, adoro esse termo)

Bruno, os comentários excluídos também foram meus. Deletei duas vezes antes da VERSÃO FINAL porque esqueci de acrescentar uma merdinha ou outra.

Amo vocês, beijos.

Bruno Vicentini disse...

HAUHAUIAH, versão final é massa! taí a seriedade do assunto.

achei que tava rolando censura prévia do rafa, haha! nem percebi que ali tá escrito "removido pelo autor".

o jogo é jogado!

Rafael Zanatta disse...

O blog é legalize! Pode comentar a vontade, incluindo comentários anônimos. Eu não excluo os comments dos migos, como o Gaba!

HAHAHAHA

E a discussão continua! Quero ouvir a opinião dos fãs de sertanejo universitário. Apresentem seus argumentos!

prisci disse...

tá gaba! que bom que não era alguém falando sério :)

disse...

Alguém que curte sertanejo lê esse blog!? por favor, eu quero a opnião dos peão hahahaha

disse...

OPINIÃO* porra

Hífen disse...
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Hífen disse...
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Hífen disse...

PAU NO CU DO FABIO ELIAS.
toquei com o reles no especial de natal da 91 rock... dai o cara tava com um papo de "to em sao paulo vendo uns lances pra banda" tava o caralho... tava lá vendendo a alma pro cramunhão. e outra... se o cara fosse entrar no sertanejo pra fazer música melhor, seja melhor que antes ou seja melhor do que os sertanejos que tão em voga hoje: TUDO BEM. mas não, tá fazendo papel de idiota sertanejo, sendo apenas mais um que tá tentando ganhar dinheiro. FABIO ELIAS: VAI ESTUDAR!
tanto pra fazer música boa quanto pra ganhar dinheiro. faz uma pós em agronomia, economia, gatomia, FODA-SE, se é pra ganhar dinheiro vai fazer outra coisa porque MÚSICA VOCÊ NÃO FAZ BEM!

não sou contra ganhar dinheiro, muito pelo contrário. eu sou contra (extremamente contra!!!!) a quem faz alguma coisa mal feita e fica insistindo!

Samuel Hübler disse...

A temática "amor e dor" é tanto na música como na literatura, penso eu, de caráter introdutório ao desenvolvimento da capacidade criativa. Quem nunca escreveu um poema ou música bregas sobre amor e dor, inclusive rimando essas palavras? A diferença é que algumas pessoas desistem de escrever ou compor, outras evoluem e outras, como vejo ser o caso da maioria absoluta dos cantores de sertanejo universitário (isso quando são eles os compositores)insitem em continuar num nível mediocre e pobre de criação, infelizmente aceito pelo pensamento médio da massa. Cadê a influência de Bob Dylan na composição musical? Em contar histórias, fazer músicas com mais de dez frases? Acho que seria melhor ao invés de dizer palavras desnecessárias e sem conteúdo deixar a música apenas instrumental...
Cresci ouvindo sertanejo regional nos churrascos de domingo da família, o sertanejo da moda não deveria nem ao menos avocar parentesco com ele.
A mescla do sertanejo com o axé é a pior mistura, o resultado é uma total "junk music".
Quanto ao Fábio Elias: certo, o público em geral consome o sertanejo universitário, mas essa mudança de gênero é por que estava passando fome como roqueiro? Se for por essa razão até entende-se, mas outra justificativa, como para vender e ganhar uns bons dobrões, não é atitude de um verdadeiro músico.
Bem, "god save the queen" e "long live rock" (ou qualquer gênero musical que seja arte)

Anônimo disse...

poxaaa d;echa ele ser felis...!!!

prisci disse...

só depois que você aprender "portuguêiz" - makito, me diz que foi você de novo?
;*

Rochera disse...

EU AMO SERTANEJO!

Bruno Vicentini disse...

comparando: o refrão de "Fofoqueira", do rapazola aí, com o início da música "Feiticeira", do Evaldo Braga, que podia ser Evaldo Brega!

Fofoqueeiraaa! (8)

Rafael Zanatta disse...

Isso ae, Rocha! Finalmente alguem se manifestando a favor!

Wilame Prado disse...

Acho que isso é papo pra manga, ou melhor, pra crônica! Teu blogue tá foda. Parabéns. Sobre o clone do Brunão, o carinha do Reles aí do post, sei lá meu, isso cheira, para mim, a marmelada. Aquele abraço.

rannah disse...

Às vezes tenho vergonha de ser universitária. Tá que isso é uma coisa meio besta. Afinal, fazer faculdade não é se filiar a um partido. Tô lá pra estudar. Mas é inegável que existe (ou deveria existir) um fomento cultural nas universidades. Aí bem na minha vez surge o tal sertanejo universitário. Também não sou pró-revolução, não brinco de dce nem nada disso. Mas ser universitário deveria significar ser vanguardista de alguma maneira, não ser vítima dessa massificação. Daí que pra ir em festa open bar a gente é obrigado a ouvir a santíssima trindade: pagode, sertanejo e funk. So sad!

Anônimo disse...

Chega a ser ridículo, parei! kkkkkkkkk

Anônimo disse...

Eu gosto de sertanejo. E gosto tb de outros gêneros musicais, como blues, rock, grandes clássicos ao estilo american songbook. Sou romântica por excelência, gosto de letras simples - assim como a maior parte do povo brasileiro. Para fazer música, ñ é preciso complicar.Ao contrario, quanto mais simples a letra, melhor.Eu fui a dois shows do Relespublica e o Fábio apavora no palco,no bom sentido!Sabe o q vai acontecer?O Brasil vai amar esse cara, essas músicas grudam na orelha da gente, e não há tratado sobre cultura de massa que possa impedir o povo de ouvir o que quer. Se ele fosse contador poderia mudar de profissão; só porque é músico tem que ter o mesmo blábláblá roqueiro? Achei essa atitude a mais roquenroll que já conheci. Força Fábio.

Anônimo disse...

Bicha Fábio.

Eder Kambara disse...

Opa! Descobri o teu blog! Muito bacana!

Considero essa mudança de estilo musical do Fábio mais radical do que mudança de sexo. Porque um homem que deseja ser mulher, antes da transformação, já dá indícios de que não se amolda ao gênero original. Agora, no caso do Fábio, e vendo os vídeos, fica até difícil acreditar se tratar da mesma pessoa. Não conhecia o trabalho dele. E, sinceramente, e tomando a liberdade de expressar minha opinião, pretendo continuar desconhecendo.

Bruna disse...

Descobri seu blog quando procurei pela notícia dessa palhaçada do Fábio Elias.

Eu também escrevo sobre coisas semelhantes, principalmente o texto desta semana. Meu site é http://angustiaetica.blogspot.com.br.

Abraços,

Bruna.

Anônimo disse...

Sou do sertanejo, e apesar do preconceito que li nos comentarios acima, acho que a questão nem é essa, o que esse fabio elias fez, não é novidade, o paulo ricardo gravou musica romantica, e não manchou sua reputação,o cara achou que é só cantar qualquer coisa, e não é assim, a concorrencia ja ta enorme entre os que cantam sertanejo desde sempre, e ainda tem roqueiro querendo entrar no ramo? não é tão simples fazer sucesso assim amigos....pra espanto da galera que não gosta de sertanejo, digo uma coisa: tem que ter identidade, ser autentico, se não é só mais um dos muitos que vão morrer na praia, tentado virar um jorge e mateus da vida...

Hífen disse...

Caro Sr. Anônimo,

primeiramente o Paulo Ricardo não tinha reputação para ser manchada.

porém e em segundo lugar eu concordo com você quanto ao que diz que não adianta achar que é só "entrar no sertanejo" e sair fazendo sucesso.

o caso é que: o sertanejo agora é a bola da vez, tanto no pa´raná quanto no resto do Brasil.
o cara resolver "entrar" justamente no sertanejo é que deixa todo mundo com uma pulga atrás da orelha...

tá certo que o rock e o sertanejo não se bicam muito bem.

o que me levanta uma questão muito simples é: se a moda fosse o axé, o Fábio Elias estaria timbalando por aí?

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