Once again

Sabe aqueles sonhos repetidos que você tem? Não sei se já lhe ocorreu, mas é um sonho que basicamente tem o mesmo enredo, a mesma história. Geralmente é um pesadelo, algo inevitável. Por mais que você tente, você não consegue escapar do tal sonho.

Pois bem. Nesse ano tem me ocorrido um sonho chato. Hoje tive ele de novo.

Nele, estou em Londres no dia 07 de Janeiro de 2009. Sempre, nesta mesma data. E toda vez, vou voltar para o Brasil no dia 08 de Janeiro, às 20h. De fato, isso me ocorreu.

No dia 07 de Janeiro, nós chegamos em Londres as 02h da manhã, vindo direto de Barcelona. Dormimos no Carlos, pois já estávamos sem casa (havíamos devolvido o apartamento antes do mochilão eurotrip começar) e passamos o dia inteiro na maior correria, fazendo as últimas coisas antes de ir embora.

Pô, esses dois últimos dias foram muito difíceis. Nada aconteceu de errado. Pelo contrário, deu tudo certo. Mas sabe aquela sensação do tipo "quando que eu voltar aqui?" em relação à cidade e o pensamento constante de "será este um adeus?" para com todas as amizades cultivadas ao longo de um ano.

O sonho é desesperador. Eu quero fazer todas as coisas pela última vez. Quero tomar um pint de cerveja num pub sujo em Camden Town, quero olhar o rio Tâmes e o Big Ben no anoitecer, quero trombar com milhares de pessoas e suas sacolas de compras em Oxford Street, quero andar na Queensway (primeira rua que nos deparamos, ao sair do metrô, no primeiro dia em Londres), quero ir ao London Zoo dar um abraço em todos os colegas, quero respirar o ar limpo de dentro do Hyde Park, quero caminhar ao lado dos grandes prédios de Baker Street, quero pegar o ônibus vermelho 174 e encontrar aquele velho motorista islâmico, quero ler os estúpidos tablóides gratuitos nos metrôs, quero comprar presentes pros familiares em Piccadilly Circus, quero trombar com um britânico só para ouvir aquele "sorry, mate" tão simpático.

E o tempo corre. Se esvai, como água na palma da mão. É inútil tentar fazer tudo, não vai dar tempo. É frustrante.

E vem a hora de ir embora. Entrar no metrô e se dirigir a Heathrow, o imenso aeroporto localizado a oeste de Londres. A hora de lançar os olhos àquela mágica cidade pela última vez.

Foi o fim de uma jornada, que terminou com muita alegria e empolgação depois todos os obstáculos vencidos. Na vida real não senti a frustração e a melancolia que aqui descrevi. Entretanto, esses sentimentos me perseguem em sonhos recorrentes que me deixam o dia todo pensativo, relembrando pequenos momentos, fragmentos dispersos de uma vivência intensa.

É...

E pra piorar Maringá amanhece com um típico clima londrino.


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