Paternidade, Whiskys e Charutos

Semana passada fiquei sabendo que um dos meus primeiros amigos em Maringá, Diego Pavan, que conheci na quarta série do Colégio Marista em 1997, seria pai.

Grande notícia! Paternidade é algo seríssimo e também encantador.

A história me surpreendeu, pois acho que o Diego é o primeiro de meus amigos de mesma idade a ser pai. Grandes amigas mães eu já tenho, como a Marys que é mãe do pequeno Erick. Mal sabe o pimpolho o quanto a gente aprontou na casa da mamãe no ano de 2001, com porres ilegais e histórias sinistras. Mas deixa pra lá, são detalhes que não importam.

O fato é: ninguém mais é muleque aqui. Nossa geração pouco percebeu o quanto somos responsáveis e adultos, pois vivemos um pouco estigmatizados com a visão sempre infantil do estranho mundo dos mais velhos. É difícil entender que nós somos esse pessoal agora. Nós somos os mais velhos, nós temos emprego, nós pegamos estradas, compramos, vendemos, viajamos, escolhemos nossos caminhos, fazemos sexo e temos filhos.

Eu olho para meus alunos de inglês, de catorze, quinze, dezesseis anos e penso: será que eles me veem como um estranho adulto assim como eu via meus professores nos bancos escolares? Dá vontade de dizer: "galera, há pouco tempo atrás eu era igual vocês!". Mas eles não iriam entender. Eles só vão entender depois dos vinte e poucos anos.

Bom, para comemorar o novo papai do pedaço, combinei com o Michel de irmos até a casa do Diego. Sim, ele é casado e já tem uma casa própria. Isso que é autonomia jovial, não?

Como a mulher dele está grávida, ela foi para o sítio do pai, evitando qualquer tipo de contágio da Gripe H1N1 em Maringá, devido aos autos números de contário e eventuais mortes por aqui. Fizemos então uma noite de tiozão, com Jack Daniels, Johnnie Walker e charuto.

Depois de horas de whiskey, charuto e papo fomos embora, torcendo pela saúde do futuro bebê e tudo de bom pro paizão. Eu sei que quebramos o ritual, o whiskey e o charuto devem ser usados no dia em que o bebê nasce, mas é que era Segunda-feira, não tinha aula na UEM no outro dia e todos nós estávamos com vontade de beber. Daí rolou!

Foi bacana. Pena que o gosto do charuto fica na boca. Estou passando um dia típico de saliva grossa e gosto amargo na boca. Sensações nada agradáveis, mas fazer o que? É o preço que se paga por querer se achar mais velho, comemorando a paternidade de um jovem colega com bebidas fortes e um tradicional charutão fedido.

Um comentário:

michelle disse...

me fez lembrar um dia que a gente tava na cantina e o michel, do além, olhou bem profundamente nos seus olhos e, depois da pausa típica dos 3 segundos, falou "cara, acho que tá na hora da gente ter um filho."

eu achei meio gay na hora... pq né?
mas depois ele explicou melhor e tal

aiai, foi engraçado

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