Os melhores álbuns de 2009

Considerações iniciais
Há um mês comecei a pensar numa lista dos melhores discos do ano, tanto no Brasil como na gringa. A priori, parecia uma tarefa simples. Entretanto, fui encontrando alguns percalços neste empreendimento.

O primeiro transtorno é a própria classificação dos álbuns, do primeiro lugar ao décimo. Pode ser até fácil elencar seus dez favoritos, mas premiá-los com as medalhas de ouro, prata, bronze e honra ao mérito é algo difícil de fazer. Não sou um bom jurado.

A segunda complicação é o hype. Tentei, ao máximo, evitar a nova tendência crítico-musical de elevar os lançamentos e bandas novas e rebaixar os discos amadurecidos de bandas já não tão novas. Acho prejudicial esse sentimento infantil do brinquedinho novo, o tal fetiche do "curto uma banda que ninguém conhece".

No mais, o maior desafio foi trabalhar com uma possível limitação de estilo com a lista. Pode-se dizer que é uma lista de melhores álbuns de rock de 2009, especialmente na gringa. Já no Brasil, ampliou-se o estilo musical das bandas elencadas. Algumas não são bandas somente de rock, mas grupos além-do-rock, mesclando elementos de música brasileira. Mesmo assim, não considerei os álbuns da chamada Música Popular Brasileira (Tiê e Céu, por exemplo), estilo de difícil conceituação nos dias atuais.

Também não considerei os álbuns de música instrumental no rock (ou post-rock). Portanto, os tão comentados discos de bandas como Macaco Bong ou Animal Collective, que penso ser post-rock, e outros estão fora da lista.

O último apontamento que é necessário ser feito para evitar qualquer tipo de aborrecimento por parte do leitor é o de que a lista não passar por nenhum critério técnico ou qualquer metodologia. É uma lista pessoal. Só isso.

OK! Vamos lá!

OS MELHORES ÁLBUNS DE 2009
Parte I - NA GRINGA

10. "Conditions", The Temper Trap


Fiquei encantado com esse disco de estreia da banda australiana The Temper Trap, desde o momento que ouvi pela primeira vez. Os vocais em falsetes são incríveis, apesar de uma levada as vezes muito pop. As guitarras, caprichadas no delay, remetem aos melhores trabalhos do U2 na década de 80, ou aos recentes trabalhos nessa linha de ambient rock desenvolvidos por Coldplay e Kings of Leon. "Love Lost", "Sweet Disposition" e "Fool" são faixas que expressam bem essa ideia. Por outro lado, a banda lembra Arcade Fire em seus vocais esquisitos e backings crescentes, em músicas belas como "Down River". Um excelente debut-album ainda pouco comentado pelos brasileiros.

9. "No Line On The Horizon", U2


U2 é uma banda que sempre vai gerar muita discussão. Uns clamam ser a maior banda de rock existente. Outros dizem que Bono é uma grande farsa, um legítimo poser. Sem entrar no mérito do que o U2 representa, o último álbum da banda irlandesa é, para mim, um excelente disco. Desde a faixa homônima que abre o disco, passando por músicas (que finalmente reviveram o tradicional som do U2, que revolucionou a década de 80 e o início de 90 com o álbum Acthung Baby) como "Unknown Caller", "Crazy Tonight", "Stand Up Comedy" e "Breathe". Obviamente o disco não é mil maravilhas e a prova disso é o péssimo single "Get on Your Boots". Mas, mesmo assim, é um dos discos mais coerentes da mais famosa banda de rock da década, com um ótimo ambiente criado pelo gênio minimalista The Edge.

8. "It's Blitz!", Yeah Yeah Yeahs


Talvez o disco mais pop desta lista. Ou o mais hype. Mesmo assim, não pude desprezar o fato de que esse trio americano possui uma habilidade incrível de fazer barulho, desde quando surgiram em 2003. It's Blitz! é um disco de boas guitarras, sintetizadores sinistros, baterias dançantes e excelentes vocais de Karen O. "Dull Life", "Zero" e o hit "Heads Will Roll" são a força motriz do disco. Além do mais, é um álbum com uma excelente capa! Ideia genial para uma banda que tem feito muita gente fritar na pista.

7. "The Album", Wilco


Um disco para dar play e ser feliz. Os veteranos do alternative rock do Wilco lançaram neste ano um álbum conciso e maduro. Jeff Tweedy pode não ser tão bom como Stephen Malkmus, mas esse disco soa tão agradável quanto qualquer um do Pavement. Não genial, mas gostoso de se ouvir. Aliás, é um disco redondinho - o que lembra mais o The Thrills do que o experimentalismo do Pavement. Particularmente, adoro quando surgem as duas vozes em músicas como "One Wing" e "You and I". É um disco cheio de boas músicas. Não tem como não se encantar com músicas como "Country Disappeared", "You Never Know", "The Song" e tantas outras excelentes faixas.

6. "Primary Colours", The Horrors


A capa é tão sinistra quanto a segunda música do disco, "Three Decades". Efeitos bizarros de guitarra, teclados, bateria acelerada e um vocal que lembra muito bandas pós-punk - quando ouvi pela primeira vez, pensei em Dead Kennedys e Joy Division na hora. O segundo disco dessa banda inglesa é um trabalho difícil de ser digerido de primeira, mas que tem excelentes músicas. Um incrível trabalho de estúdio, abusando dos ecos e ambientações sonoras estranhas. "Do You Remember", "I Only Think Of You", "Primary Colours" são pontos altos e por vezes sombrios desse disco que está presente na maioria das listas de melhores do ano.

5. "Humbug", Arctic Monkeys


O Arctic Monkeys já foi a banda mais comentada do mundo da música. A forma como os rapazes de Shefiled (Inglaterra) surgiram marcou o início de uma nova era, a era web 2.0 na música. Após o bafafá do disco de estreia, Whatever People Say I'm Not, lançaram um álbum bacana em 2007, Favourite Worst Nightmare. Em 2008, o vocalista Alex Turner lançou o bom álbum do projeto paralelo The Last Shadow Puppets. Superado o desafio de lançar o segundo álbum, a banda neste ano surpreendeu com a parceria com Josh Homme como produtor. A velha fórmula continua: riffs de guitarra, baixos marcantes, viradas maneiras de bateria e aquele marcante vocal difícil de ser rotulado. Enquanto muitos criticaram a influência de Josh no som da banda, eu considero uma coisa boa. O som ficou mais robusto. É só conferir as músicas "My Propeller", "Crying Lightning" e "Potion Approching". Méritos também para a "balada" folk-rock "Cornerstone". Um disco bom em sua totalidade.

4. "Tonight", Franz Ferdinand


Um dos discos que mais ouvi esse ano, considerando que foi lançado no comecinho de 2009. É também o terceiro disco de uma banda que já foi a grande novidade da música, como os Monkeys. Neste álbum a banda explorou muito mais seu lado pop, em divertidas "músicas noturnas", como disse o vocalista Alex Kapranos numa entrevista. Apesar de todas as críticas negativas, acho um baita disco com ótimas músicas e apenas algumas mancadas criativas. "Ulysses" tem um excelente refrão, com direito a "lá-lá-lá" e guitarras maneiras. No mais, "Send Him Away" (que mostrou uma bela evolução técnica do baterista), "What She Came For" e "Live Alone" dão o tom do disco. E, para mim, "Lucid Dreams" é a cereja do bolo, com quase oito minutos incluindo batidas anos 80 de sintetizadores num som muito retrô.

3. "West Ryder Pauper Lunatic Asylum", Kasabian


O Kasabian foi eleita a melhor banda inglesa de 2009 pela New Music Express. Se é a melhor britânica, não sei. Sei que esse disco de nome complicadíssimo é um excelente trabalho de estúdio e artístico. Desde a capa, que parece boba mas flerta com os labirintos de Jorge Luís Borges e alguns personagens históricos, chegando finalmente até as músicas, que mistura levadas de violão, riffs de guitarra, elementos eletrônicos, orquestrações e melodias bacanas vocais. Todavia, a progressão do disco é estranha. Após "Underdog" e a mais acessível "Where Did All The Love Go?" surge uma estranha música com ritmo acelerado de bateria. Mas finalmente o bom retorna com "Fast Fuse", ponto alto do disco. Com "Take Aim" surgem ritmos arábicos, seguindo-se do belo trabalho vocal em "Thick as Thieves". Enquanto "West Rider" parece brincar com os sons do velho oeste, "Vlad the Impaler" é moderna até demais. Enfim, esse álbum do Kasabian parece estranho nas primeiras audições, mas te conquista lentamente pela sua multi-complexidade. Medalha de bronze pros caras.

2. "Them Crooked Vultures", Them Crooked Vultures


Uma banda com John Paul Jones no baixo é covardia. O tanto que esse cara fez na década de 70 com o Led Zeppelin é imensurável. Além do hard rock, Jones investiu no jazz nos anos seguintes, até culminar nesta formação com Dave Grohl (Nirvana/Foo Fighters) e Josh Homme (Queens of the Stone Age/Eagles of Death Metal). Reunidas as três feras, a formação foi comentada em blogs e revistas de música durante todo o ano de 2009 - o que ajudou e ao mesmo tempo prejudicou a recepção do álbum lançado agora em Novembro. Mesmo assim, é um disco FODA. Abrindo com os já conhecidos riffs de "No One Loves Me & Neither Do I" (que foi lançada em partes no teaser do YouTube) o disco é uma lição de rock. Porrada. Disco pra ouvir num volume que, no mínimo, incomode o vizinho. "Mind Eraser", "New Fang", "Dead End Friends" e "Elephants" são tão boas quanto a música que abre o disco. São riffs muito poderosos, com uma cozinha (bateria e baixo) devastadora. Ainda mal tive tempo de digerir as músicas, pois o disco é muito recente, mas desde já pode-se afirmar que esta banda trouxe das cinzas o bom e velho hard rock - confira "Scumbag Blues" e "Reptiles" também. Se não fossem abutres, seriam fênixes.

1. "Hombre Lobo", Eels


Doze músicas sobre desejo. Esse é o subtítulo do disco Hombre Lobo, da veterana banda norte-americana Eels. É um disco excelente, que tem tudo o que precisa ter. A faixa de abertura é empolgante e crescente, com vocais e berros rasgados, além de uma letra honesta em "Prizefighter". Na sequência, uma balada melódica sobre ciúmes, depressão e outros sentimentos bads relacionados sobre o desejo de ter aquela garota de volta, em "That Look You Give That Guy". Em "Lilac Breeze" os ritmos animados tomam contam novamente, assim como na ótima "Tremendous Dynamite", onde ele berra "I am the Hombre Lobo". Minha favorita é "Fresh Blood", que tem uma excelente ambientação por parte da bateria e do vocal, com direito a uivos insanos. O álbum é poderoso, contando com uma alegre música upbeat em "Beginner's Luck" que lembra McCartney na sua letra ("The road in front of us, it's long and it is wild") e outras mais calmas, como em "My Timing is Off". O melhor disco do ano, que foi ignorado de forma injusta pela mídia especializada inglesa. Mas não por mim.


Parte II - NO BRASIL

10. "Atlântico Negro", Wado


Sou suspeito pra falar do Wado. Sou muito fã deste grande compositor catarinense desde sua banda independente Wado & O Realismo Fantástico. Esse disco, que é quase nada rock, é altamente brasileiro, misturando diversos ritmos genuinamente brasileiros. "Cavaleiro de Aruanda" é reflexo desse liquidificador maluco que é a mente criativa de Wado, que mistura indie-rock com música nordestina. "Martelo de Ogum" é uma linda bossa e "Pavão Macaco" tem uma letra excelente. Não é um disco tão bom como "A Farsa do Samba Nublado", mas é um dos grandes discos de 2009, mostrando para o mundo todo o que é a musicalidade brasileira.

9. "Banda Gentileza", Banda Gentileza


Esse disco de estreia da banda curitibana Gentileza é excelente. "Coración", faixa de abertura, é um Cake jazzístico com uma ótima letra. "O indecifrável mistério de Jorge Tadeu" tem um belo coro vocal e uma levada dançante. Mas é em "Piá de Prédio" que Heitor, vocalista e instrumentista da banda, mostra sua genialidade e a banda se mostra competente para criar um arranjo que não roube a atenção do ouvinte para a letra da música. "Teu capricho, meu despacho" é caipira, rural e uma das audições mais prazerosas do disco, lembrando até os timbres folks de Jimmy Page. A segunda voz é fantástica. "Sempre quase" é brincalhona e tem um clipe bacana. No mais, a banda explora muito bem diversos instrumentos musicais para criar arranjos ousados, fazendo desse disco um dos mais autênticos e diversificados discos de 2009.

8. "Quase", Ecos Falsos


Se você se esforçar muito você conseguirá ler a palavra "Quase" na capa deste álbum. Se não conseguir, não perca muito tempo e ouça logo as músicas do segundo disco dessa incrível banda paulistana. Aqui sim estamos falando de uma banda de rock: baixo, guitarras, bateria, vocais. Abrindo com a vigorosa "O Boi", a banda continua com ótimos riffs de guitarra e bons versos na faixa que leva o nome do disco. "Verão de 69" explora os sinterizadores, guitarras dançantes e duas vozes. "Spam do Amor" é simples, mas ganha o ouvinte pela sacada da letra (que beira o tosco). "Café la Petite Mort" mostra a virtuosidade da banda em estúdio. O disco mantém até sua última música bons timbres ("Nós" mistura até trompetes mexicanos) e garante aos Ecos Falsos um lugar entre os grandes nomes do rock brasileiro neste início de década que está por vir.

7. "Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranqüilos", Otto


Otto é o cara. Mais uma vez, sou altamente suspeito para falar de um disco deste pernambucano. Lançado por uma gravadora americana, "Certa manhã..." é fantástico. Desde o título, que remete à "Metamorfose" de Franz Kafka, Otto exibe sua genialidade ao fazer do verso "Mas naquele noite que eu chamei você fodia" algo extremamente poético na faixa de abertura "Crua". Em "Janaina" os ritmos nordestinos são notórios, bem como a letra. A faixa mais rock do disco, "6 Minutos" é talvez o ponto alto do disco, com guitarras no estilo Secos & Molhados e um belo trabalho vocal e lírico. "Agora Sim" encerra o álbum de forma sublime, de forma intensa e com um arranjo muito bem orquestrado. Certa Manhã(...) é um disco sólido que merece ser mais apreciado por nós, brasileiros, do que pelos gringos. Pena que o público daqui não reconhece o valor de um artista como Otto.

6. "No Chão, Sem O Chão - Cala Boca Já Morreu", Romulo Fróes


"No Chão, Sem O Chão" é o trabalho mais ousado da música brasileira em 2009. Esse disco duplo (divido em parte 1 e 2, entitulados "Cala Boca Já Morreu" e "Saiba Ficar Quieto") conquistou todos os ouvintes, paulistas ou não, pela sua altíssima qualidade. Como os dois álbuns têm 33 músicas, elegi aqui na lista a parte 1 do disco, que pode ser muito bem um "álbum", o Cala Boca Já Morreu. Nele, o compositor explora mais o lado banda, gravado em conjunto. Bom... Fróes tem uma voz belíssima. E mais, sua genialidade como compositor supera, e muito, a suavidade de sua voz. Mesmo com esse tom suave vocal, o disco é uma porrada. "Do Ponto do Cão" tem guitarras agonizantes em longos solos, sustentados por acordes de MPB e uma letra esperta. "Anti-musa" é jazzística e genial. "Destroço" é mais rock, bem como "Deserto Vermelho". O álbum inteiro é bom e complexo. "Sei Lá" é sinistra de tão difícil de se tocar, imagino eu. "De Adão e Eva" tem uma participação feminina encantadora, com um arranjo espetacular de violão, baixo e bateria. Enfim, esse disco deve figurar em todas as listas de melhores do ano, pois de fato, é um trabalho maduro e musicalmente sublime. Pessoalmente, acho o álbum mais adulto de 2009.

5. "Nova Onda Caipira", Charme Chulo


O segundo disco da banda curitibana Charme Chulo é um tiro certo. Partindo da mistura genial do rock oitentista com a música regional/caipira, a banda lançou esse ano um disco muito mais homogêneo que o trabalho de estreia, que tinha excelentes rocks caipiras, mas que ainda estava descobrindo seu som. Em Nova Onda Caipira as guitarras de Leandro mesclam-se com suas próprias violas e outros elementos como o acordeon. "Fala Comigo, Barnabé!" é uma ótima faixa de abertura, dando a "estilingada" inicial pro resto do disco. "Brasil Sacanagem" é frenética, com bateria country, ótima linha de baixo, duas vozes no melhor estilo Tião Carreiro & Pardinho e uma boa letra. "Rádio AM" tem ótimos riffs e o refrão "Neca de pitibiriba!". Que banda consegue cantar isso sem ser ridículo? Somente Igor e o Charme Chulo. Eles conseguiram. No disco, até a cidade-canção está presente, na bela música "Galo Maringá", que de certa forma conta a história dos primos que fundaram uma das mais genuínas bandas do rock brasileiro.

4. "Uhuuu!", Cidadão Instigado


Por acaso, Fernando Catatau é filho de Tom Zé? Encontrei muita semelhança na voz e no estilo de composição do líder desta banda cearense com o velho ícone da Tropicália. Confesso que conheci essa boa banda há pouco tempo e me encantei com seu terceiro disco, chamado de Uhuuu! Entretanto, os caras já são velhos conhecidos na cena paulista. Bom. Este disco é estranho, mas ótimo. Começando com a marcial "O Nada", passando pelos sintetizadores de "Contando Estrelas", chegando na psicodélica "Doido" - que tem ótimos timbres de guitarras. "Dói" é incrível, talvez a melhor do álbum. "Escolher pra quê" é pop ao extremo em seu refrão. "Ovelinhas" tem guitarras bem timbradas no estúdio e uma letra non sense. Já "A Radiação na Terra" é progressiva e densa, uma das faixas mais inusitadas do disco. Enfim, o disco segue com boas músicas, fechando com o órgão fantástico e o arranjo muito bem criado pela banda em "O Cabeção", música de sete minutos. Um disco muito bem gravado, com músicas além do senso comum. Uma viagem sonora.

3. "Frascos, Comprimidos e Compressas", Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta


O segundo disco de Ronei Jorge e sua banda, Os Ladrões de Bicicleta é um álbum impressionante. Desde os incríveis bends de guitarra no samba explosivo de "Você sabe dessas coisas, nega", passando pela suave "Quem vem lá" e a introspectiva "Vidinha" no começo do disco, culminando na música que deu nome ao disco (ótima letra e timbres instrumentais). "Aquela dança" tem um refrão contagiante e um ótimo riff de guitarra setentista - um dos pontos altos do disco, também. "Sonhando com o refrão" mostra a virtuosidade técnica da banda de Salvador, direcionando o disco para o seu fim nas boas músicas "Está na Cara" e "Tão Forte". Um disco ainda pouco comentado, mas que é excelente do começo ao fim. Ótimos arranjos e distribuição dos instrumentos, principalmente as guitarras. Salve a Bahia!

2. "C_mpl_te", Móveis Coloniais de Acaju


Os ska enérgico faz dos Móveis uma das bandas mais encantadoras do cenário brasileiro atualmente. Se não bastasse o incrível som instrumental (guitarra, baixo, bateria, flauta, gaita, sax barítono, sax tenor, trombone, teclados) desta banda de Brasília, as letras inteligentes e a influência de toda e qualquer boa música, seja brasileira ou do leste europeu, fazem com que a banda hoje seja unanimidade para qualquer ouvinte ligado nas novas e boas bandas do país. O segundo álbum, "C_mpl_te" supera o debut em vários aspectos. Além da produção de Carlos Miranda, que cuidou de todos os timbres e detalhes da sonoridade da banda, as composições são superiores e mostram a maturidade do grupo. "Adeus" tem uma sonoridade oitentista. "Lista de Casamento" é Móveis puro, no estilo que consagrou a banda. "Cão Guia", "Café com Leite", "Bem Natural" e "Falso Retrato" são pontos altos do disco. Difícil escolher a melhor. A música final é "Indiferença", que diz "Se o começo é o fim, não faz diferença". Uma letra muito boa, fechando com palmas e metais. Enfim, é um álbum para se ouvir em qualquer, com qualquer tipo de gente, por ser extremamente universal. Um grande trunfo.

1. "Tudo Que Eu Sempre Sonhei", Pullovers


A faixa homônima que abre o disco seria a crônica perfeita desta geração recém-adulta, dos vinte e poucos anos, nascidas na década de oitenta. Incrível. Se não bastasse essa obra-prima lírica, o disco todo é uma sublimação musical. "O Amor Verdadeiro Não Tem Vista Para o Mar" é bela, com um refrão em duas vozes que beira o pop radiofônico. Luiz Venâncio comprova sua habilidade de excelente compositor de músicas em português em músicas como a singela "Marinês", "Marcelo ou Eu Traí o Rock" e a engraçadinha "Futebol de Óculos". Músicas que falam de amor, e outras coisas mais, com arranjos rock incríveis por parte da banda paulistana e melodias que remetem à grandes nomes do alternativo. "Semana" tem ritmos quebrados e guitarras distorcidas e "Todas as Canções são de Amor" traduz o que são todas as canções do disco. Um disco pra se ouvir em casa, prestando atenção na riqueza desta incrível obra contemporânea e honesta. Medalha de ouro pros paulistanos.

7 comentários:

Rafael Zanatta disse...

Wilame, respondendo sua pergunta, talvez eu coloque os links pra baixar cada álbum aqui. Mas também, pesquisando no google ou em torrent é bem fácil encontrá-los para download.

Flávia S. disse...

Eu não conheço uma boa parte desses álbuns, mas dos que eu conheço que apareceram na lista, concordo em estarem aí. Principalmente o do Wilco, que acho que foi um dos melhores que eles já produziram.
Na minha top list entraria ainda Noah and the Whale e talvez o último do Weezer, que achei bem divertido.
:D

Rafael Zanatta disse...

Noah and the Whale tá de disco novo? Fiquei por fora dessa!

Gabriel disse...

eu adorei essa postagem. achei que seus comentários foram bem sinceros, como sempre, do seu jeito e fiquei curioso pra ouvir os que eu não conheço (a grande maioria, principalmente a parte dos brazuca's).
eu nunca fiz nenhuma seleção dessas, assim, pra valer, e acho que se algum dia eu tentasse começar eu nunca conseguiria terminar, muitos empates iriam me embolar a vida.
minha única certeza é que na minha lista acho que o top#3 int. seria liderado por sonic youth, dinosaur jr e superchunk (não necessariamente nessa ordem)
beijocas.

Rafael Zanatta disse...

Caramba, foi bom você ter falado dessas três bandas, Gaba, pois eu nem as ouvi!

Posso ter cometido uma baita injustiça.

BEIJOS, FLOR!

rannah disse...

gente, como tô desatualizada! põe link dos álbuns pra baixar. preguiça reina!

Dali disse...

cara! vc tem bom gosto!
espero nem t conhecer pra não mudar minha opinião sobre mgá! rsrs

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