Os desafios do blog: participação e debate


Desde sua criação, em 2007, este blog tem apresentado um bom nível de publicação e acesso. Ao todo, foram 988 posts (textos publicados) e 1.300 comentários, que geraram mais de 230.000 visualizações de página, em uma média de 8.000 acessos por mês. De lambuja, ainda há 125 seguidores, que acompanham este espaço de reflexão de perto.

OK. Isso mostra que tem muita gente lendo o blog. Isso é bom. Mas também não é ótimo. Não é ótimo pois tem faltado aqui algo fundamental em um bom blog, algo que todo blogger (ou pelo menos a maioria, penso eu) aprecia: a participação dos leitores.

O fato é que o número de visitas tem aumentado, mas tem caído a quantidade de comentários nos textos. Por que será? Em uma conversa com um amigo leitor, foram apontadas algumas hipóteses: (i) os textos estão mais densos e mais técnicos, o que inibe comentários; (ii) as reflexões estão menos provocativas e mais informativas; (iii) a ampliação do número de leitores (em especial um público acadêmico) faz com que amigos e conhecidos sintam-se intimidados para comentar.

Eu não busco uma resposta, mas gostaria de reverter essa situação e aproveitar a potencialidade participativa que um blog oferece. Ao contrário de um artigo - texto publicado, portanto fechado em si -, o post de um blog possibilita um diálogo constante a partir dos comentários publicados, o que gera vida própria ao texto a partir da participação do leitor. Muitos bloggers, aliás, nem participam dos debates travados nos comentários: lançam a polêmica e deixam o debate fluir.

Eu não tenho a pretensão de ser um agitador, ou algo do tipo. Mas, repensando a funcionalidade deste espaço e as possibilidades que essa plataforma oferece, achei melhor incentivar a participação dos leitores. Os textos não podem ser meros informes, um produto pronto para consumo. É preciso mais participação e debate. Para tanto, gostaria de enfatizar alguns pontos específicos.

1. Comentários anônimos são bem-vindos: Muita gente pensa que é preciso se identificar para deixar um comentário. Não é verdade. Comentários anônimos são bem-vindos. O blog, na realidade, utiliza um filtro de spams e comentários ostensivos para todos os comentários publicados por leitores. Os mais tímidos não precisam se identificar. As ideias e os debates muitas vezes são mais importantes que nomes e identificações.

2. Leitores podem sugerir textos ou linkar posts de outros blogs: Para que um verdadeiro debate em rede seja fomentado, leitores podem "colar" links de outros textos encontrados na internet que tenham relação com o tema central do post do blog, ou mesmo podem sugerir leituras de outros blogs que estejam, de alguma forma, conectados com a discussão proposta. Essa é uma forma de tornar este espaço mais interativo.

3. Questões polêmicas implicam em polarizações: A partir de hoje, tentarei problematizar mais alguns assuntos e levantar questões polêmicas para discussão entre os leitores e a rede em geral. Consequente, haverá polarização de opiniões - algo que é muito saudável para um debate sério, intelectualmente maduro. Esse é um alerta para que as paixões não tomem conta, ao ponto de as discussões descambarem para o lado pessoal. A ideia é gerar um ambiente fértil para argumentos contrários sobre um mesmo objeto, isso se houver leitores que possam construir tais argumentos.

4. O objetivo do blog é gerar uma co-reflexão aberta: Existem blogs que são exibicionistas e outros que são depósitos de argumentos acabados e impositivos. A proposta do Razão em Crise é distinta. Um esforço maior será feito para tornar esta página um instrumento de co-reflexão aberta, no qual diálogos possam ser travados com textos de outros blogs ou textos disponíveis na rede. O texto, portanto, não acaba na última linha escrita pelo autor, mas é uma construção argumentativa em aberto.

5. A ideia da licença Creative Commons: Ao contrário de blogs que são criados exclusivamente para atrair potenciais consumidores (fisgados por propagandas), este espaço não tem caráter comercial. Não há merchandising. Eu não quero que seu acesso se torne dinheiro. Além disso, o conteúdo produzido no blog não possui "todos os direitos reservados". Inspirado pela copyleft, é permitida a reprodução e distribuição do conteúdo desde que para fins não comerciais. Portanto, qualquer blogueiro pode copiar textos e utilizar em seu blog pessoal, desde que não o faça com fins lucrativos. Obviamente, a pessoa que utilizar o texto deve citar a fonte original, o que demonstra um pingo de bom senso e honestidade intelectual.

6. Em busca da construção de pautas: Uma sugestão muito interessante feita por um amigo-leitor é que o blog possa trabalhar com "pautas", isto é, com o aprofundamento de temáticas que despertem a colaboração e a construção de argumentos em rede. Esse é um potencial ainda não explorado pelo blog, uma ferramenta bastante útil - e pouco utilizada - do mass-self communication, palavra esta cunhada por Manuel Castells em seu livro Communication Power (excelente referência para pensar o poder da comunicação em rede no aprofundamento da experiência democrática).

7. Separação entre textos acadêmicos e textos de blog: Na medida do possível, vou tentar minimizar os vícios de linguagem acadêmica nos textos do blog, tornando-os mais acessíveis e estimulantes. Os textos acadêmicos irão para o Social Science Research Network ou para o Academia - portais específicos para esse tipo de publicação -, enquanto aqui ficarão publicações mais objetivas e reflexivas. A ideia é ter textos "menos chatos", que estimulem a participação e o debate - elementos norteadores a partir de agora.

E então leitor, será que vai dar certo?

2 comentários:

Tiago Inforzato disse...

Gostei dessa questão! E vou me esforçar pra participar mais da "blogosfera" (lembra desse termo!?). Publicar mais no meu blog e comentar mais por aqui e em outros que acompanho.

Acho que o fundamental do blog é o debate da informação, muito mais do que a simples informação. O debate e os links que chegam enriquecem sobremaneira o tema.

Tô na campanha!

Rafael A. F. Zanatta disse...

Pois é, Lobão! Acho que o potencial de debate do blog é o que o diferencia de outros formatos de publicação de textos. A gente tem que aproveitar melhor essa ferramenta!

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