A fascinante Avenida Paulista


08 de Dezembro de 2011, 120 anos de Avenida Paulista. O que dizer desse local? O que seria de São Paulo sem essa majestosa via? Impossível dizer. Um senhorzinho nordestino no jornal do meio-dia disse que São Paulo sem Avenida Paulista seria como Brasil sem Seleção Brasileira. Pode até ser. Acho que o velhinho acertou.

A Paulista é mesmo fascinante. Em quase um ano morando há quatro quadras deste local - aqui na Rua Augusta, que cruza a avenida -, não canso de subir até suas largas esquinas e observar o movimento frenético dos transeuntes. É muita gente. É muito concreto. E também é muito consumo. Sempre que caminho pela Paulista lembro dos tempos em que morava em Londres. São Paulo guarda muitas semelhanças com a capital inglesa. E é impossível não pensar nas similitudes entre a Avenida Paulista e Oxford Street: espaço amplo, inúmeros táxis e ônibus, pessoas apressadas, centenas de lojas e cafés, prédios comerciais. Há muitos elementos iguais lá e cá. Paulista é sinal do nosso tempo: a sociedade de consumo.

Mas até para um cara de esquerda - que tenta nadar contra a maré do consumismo em favor da emancipação social -, a Paulista joga seu charme e conquista com sua arquitetura imponente. Confesso minha admiração por este pedaço muito singular do desigual Brasil.

A Paulista não parou no tempo, é pulsante e dinâmica. Se antes ela exercia fascínio pela exuberância dos casarões na época do baronato cafeeiro, hoje ela escancara o poder do capital nas megalópoles de países em desenvolvimento, através de seus bancos, lojas, museus e shoppings. Aliás, mais lojas e menos bancos, visto que o centro financeiro de São Paulo está se deslocando progressivamente para a Avenida Faria Lima, deixando a Paulista apenas como marco turístico voltado à prestação de serviços e consumo. É o "símbolo da cidade", o "cartão postal da cidade", o "ideal a ser alcançado" - pelo menos para aqueles que creem no capitalismo de consumo que moldou o século passado.

Espaço de luta política (marchas, como a da liberdade), do desejo (biocapitalismo) e da violência (palco de frequentes agressões a homossexuais), a Paulista é muito mais do que tentei esboçar nessas linhas. É o que há de vanguardismo urbano no país, deixando em aberto as possíveis interpretações dos signos ali presentes. Mas o certo é que é uma só. É a Avenida Paulista. E só conhecendo-a para compreender a real dimensão desta confissão.

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