Zé Claudio Ribeiro: "A mesma coisa que fizeram com Chico Mendes querem fazer comigo"

Esse país, que às vezes tanto me orgulha, é uma terra de bandidos, de máfias e capangas.

O covarde assassinato do extrativista e líder comunitário José Claudio Ribeiro, o "Zé Claudio", e sua mulher, ocorrido na manhã de terça-feira em Nova Ipixuna (cidade do Estado do Pará), deflagra a inaceitável situação de constante repressão, ameaça e eliminação daqueles que denunciam a ação ilegal de madeireiras no norte do Brasil.


Zé Claudio não é o primeiro a ser morto por atrapalhar os interesses do capital. Irmã Dorothy e Chico Mendes tiveram o mesmo destino.

Karina Miotto, da Eco Amazonia, explica a luta de Zé Claudio e porque ele era considerado um inimigo para os "empresários" da região: "Graças às denúncias de José Cláudio Ribeiro da Silva, pelo menos 10 serrarias de castanheiras foram fechadas no ano passado na região, cinco delas em Nova Ipixuna. As árvores, protegidas por lei, têm sido insistentemente derrubadas por madeireiros e carvoeiros para produção de madeira e carvão vegetal. Serrarias já foram autuadas pelo Ibama por beneficiar madeira retirada ilegalmente do assentamento Praia Alta da Piranheira, onde ele morava. Não fica difícil concluir o tipo de pessoas que há tempos o ameaçavam na tentativa de calar suas denúncias. Após os tiros, disparados de uma moto, cortaram um pedaço de sua orelha, em uma demonstração além de crueldade, 'prova' do pistoleiro ao mandante que o 'serviço foi cumprido', algo comum no violento Pará".

A situação é revoltante. Em novembro do ano passado, numa palestra sobre sustentabilidade ambiental ministrada no encontro TEDxAmazonia em Manaus, o extrativista relatou ao público que sua luta no Pará é marcada pelas constantes ameaças de morte. "Eu posso estar aqui conversando com vocês e daqui um mês vocês podem receber a notícia que eu desapareci", afirmou ele neste vídeo abaixo.



A boina de Ernesto Che Guevara faz todo sentido com sua postura ética. Seu Zé levou a sério a máxima idealista do revolucionário argentino: "Prefiero morir de pie, a vivir arrodillado".

Que outros não se ajoelhem no sangrento Pará.

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