Protestos silenciados

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Agora procure qualquer notícia sobre um dos maiores protestos trabalhistas dos últimos vinte anos ocorrido ontem em Londres, no qual 250.000 pessoas marcharam no centro da capital inglesa e se concentraram no Hyde Park, entrando em choque com a polícia. 

Você - assim como eu - não encontrou nada a respeito, não é mesmo?


Pois é. A mídia mainstream ignora qualquer tipo de manifestação popular contra as medidas de austeridade e não noticia os protestos contra os governos conservadores no poder em grande parte dos países europeus, como o "March For The Alternative", que aconteceu ontem na Inglaterra.

A única forma de se manter informado é recorrer aos próprios jornais ingleses, como o The Guardian - que fez uma cobertura completa de mais um dia que parou Londres.

É patético, ao mesmo tempo que óbvio o porque disso tudo. Minha indagação, todavia, é: será que os meios de comunicação temem que o mundo veja o exemplo inglês? 

Se as revoltas no oriente médio serviram de ânimo para novas organizações populares (quando tudo parecia perdido num cenário pós-crise econômica mundial), qual seria o efeito da revolta da multidão numa escala global?

Minha impressão é que os pequenos (em número, não em poder) grupos capitalistas que detém o controle sobre os tradicionais veículos de informação - responsáveis por repassar a notícia já pronta para outros meios - não querem que a população veja o surgimento de grupos radicais, como o novo movimento anarquista londrino, que  causou estragos nos protestos de ontem.



Como noticia também o Telegraph, Trafalgar Square (um dos pontos turísticos de Londres) tornou-se um  verdadeiro campo de batalha. No violento protesto, ao menos duzentas pessoas foram presas.

Os ingleses estão fartos das medidas anti-sociais do governo liberal-democrata de Cameron. Segundo alguns jovens revoltados, "the revolution begins here".

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