Bela Vista, falta de luz, Mestrado e revolução árabe

Essa semana tem sido atípica. Não só aqui, mas no mundo todo. No meu, em particular, ela tem sido de novas experiências em meu novo lar na cidade de São Paulo. Ainda estamos enfrentando algumas dificuldades, como a falta de luz, falta de gás e falta de móveis (que só chegarão no domingo), mas tudo é superável. Quando anoitece, damos uma volta na Augusta (a rua de casa) e aproveitamos o que uma das ruas mais agitadas da capital pode oferecer. 

Em poucos dias, já cheguei a uma conclusão: a rua Augusta é uma drag queen. De dia, veste roupa social e apresenta um ar de seriedade e trabalho duro. De noite, se maquia, põe salto alto e cai na farra. Tem duas facetas, muito peculiares e distintas.

Além de resolver alguns pepinos domésticos, já acertei alguns detalhes do Mestrado. Agora tenho um número USP e um e-mail institucional (rafaelzanatta@usp.br). Das disciplinas ofertadas, escolhi Pesquisa em Direito (ministrada pelo meu orientador, Prof. Jean-Paul Rocha), mas estou em dúvida com relação a outra. Tenho duas opções em mente: Razão Jurídica e Razão Prática (ministrada pelo Prof. Ronaldo Porto Macedo Jr - que discutirá a nova obra de Ronald Dworkin, "Justice for Hedgehogs") e Análise Econômica do Direito e das Organizações (ministrada pela Prof.ª Rachel Sztajn - autora que citei bastante em meu trabalho de conclusão de curso).

Também recebi uma tabela com os horários que darei monitoria em Sociologia Jurídica para a graduação em Direito do Largo São Francisco. A responsabilidade é grande. A monitoria se dá não só através do auxilio fora da sala de aula, mas compreende também a coordenação dos seminários em sala. O ano será à base de Max Weber, Jürgen Habermas, Herbert Marcuse e David Trubek.

Mas esse é meu universo particular. E o mundo, como anda?

Na quinta passada comentei os limites da repressão árabe e o efeito dominó das revoluções populares. Estamos vivendo um momento apavarosamente empolgante. Afinal, grandes mudanças estão ocorrendo agora. Justamente agora, enquanto vivemos nossas tranquilas vidas aqui no Brasil.

A partir do ocorrido no Egito (ou "Agito", como disse de forma bem-humorada José Simão), presenciamos uma revolta orgânica, sem organização partidária de esquerda (como ocorreu em alguns países durante a década de sessenta, a partir do sonho socialista de pequenos grupos, distantes da realidade do povo). É, de fato, uma luta da classe trabalhadora em prol da democracia e dos direitos fundamentais.


Novamente, faço meu alerta: não se deixem enganar pelas informações disseminadas pelos grandes veículos de informação, que elaboram suas notícias a partir de ideologias liberais e em defesa dos interesses ocidentais. Não se pode acreditar nas falsas afirmações de Mubarak de que sua saída pode gerar o caos.

É preciso refletir seriamente sobre o esse momento histórico. Como bem alertou Zizek: "a hipocrisia dos liberais ocidentais é de tirar o fôlego: eles publicamente defendem a democracia e agora, quando o povo se rebela contra os tiranos em nome de liberdade e justiça seculares, não em nome da religião, eles estão todos profundamente preocupados. Por que aflição, por que não alegria pelo fato de que se está dando uma chance à liberdade? Hoje, mais do que nunca, o antigo lema de Mao Tsé-Tung é pertinente: 'Existe um grande caos abaixo do céu - a situação é excelente'".

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