Resenha (nada imparcial) do show Nanan @ PoloClub

Minutos antes de sair de casa ontem, brincava no Twitter dizendo que faríamos um show para a burguesia de Maringá no Polo Clube (avenida Tiradentes, Centro), uma das casas noturnas mais cotadas da cidade. Para quem estava acostumado a ver o Nanan no Fernandes Bar, no Tribo's, no PubFiction ou no Trip Tattoo Bar, parecia algo estranho, fora do comum (e de fato, a @ferrzi chegou a comentar no twitter: "pra galera de maringá, hoje tem os Zanatta's brothers com Nanan no Polo Club (?)!! O melhor do rock maringaense invadindo a high society!", depois da indagação do @renatozoio: "Quer dizer que hj verei o @rafa_zanatta fazendo show no Polo p/ a burguesia capitalista?").

A brincadeira toda com a questão das classes sociais foi motivada pelo fato de tocarmos bem depois da festa de lançamento do portal EllaClube, que rolou das oito até meia-noite. Antes do PoloClub abrir as portas para os amigos e conterrâneos sedentos por música, o espaço estava repleto de modelos, empresários, estilistas e pessoas envolvidas com o rentável universo da moda.

O cenário era, portanto, realmente diferente. Nada de underground; aquele típico lugar bagunçado e orgânico. Tudo era decorado e "arrumadinho", seguindo o inevitável padrão das casas noturnas voltadas a um público de renda superior à média nacional.

Mas afinal, qual o propósito dessa discussão inicial?

Não há propósito algum. O que muda se é um show do Nanan no Tribo's ou no PoloClub? Quase nada. O que importa não é se tocamos para a classe média, a classe alta ou para os desafortunados. O que realmente importa é a música e o feeling da galera presente; afinal, um show se sustenta nesses dois pilares, não é mesmo?

Pois bem. Nestes dois aspectos, eu só tenho coisas boas a falar (ou melhor, escrever - às vezes penso que estou conversando com você, leitor invisível).

O palco do Polo estava muito bem montado, com captações de áudio bem feitas pelo Jeffinho (técnico de som), bem como uma excelente qualidade de retorno (crucial para os vocais do Renan). Consegui ouvir muito bem a percussão do Davi e o baixo do Shiozaki.

Os únicos momentos de falha ocorreram com microfonias geradas pelo microfone da gaita do Roger. De resto, o som do Polo estava ideal, motivo pelo qual eu registro aqui o meu elogio ao pessoal desta casa noturna.

No repertório, mesmo tocando numa balada de sexta-feira, incluímos todas as músicas da banda (Casa de Esquina, Pitoca, Pescador, Pra te Alegrar, Vai Dizer, Sem Sentido, Clube dos Magrelos, Morena), e mais duas músicas novas nunca antes tocadas: Bem Que Eu Queria e Casa da Floresta.

A reação foi boa. É claro que quase ninguém dançou e poucos cantaram (somente os amigos que conhecem as músicas), mas isso era totalmente previsível. Como esperar que as pessoas cantem as músicas se ainda não lançamos o disco?

Com relação aos covers (ou versões), o feeling foi ótimo. Mantivemos grande parte do tradicional repertório e tocamos algumas músicas novas, como Zamba Ben (Marku Ribas), Ponta de Lança Africano (Jorge Ben), Ela Partiu (Tim Maia), É Proibido Fumar (Erasmo Carlos/Roberto Carlos), Fly (Sugar Ray), entre outras.

Não tocamos Seu Jorge, como havia anunciado a matéria no jornal, mas fizemos animadas versões do Jorge Ben (que, convenhamos, é muito melhor!). Todo mundo dançou, cantou e se divertiu.

No final, teve bis e algumas músicas com uma pegada mais rock n' roll (ao velho estilo Frank The Tank).

Vi muita gente do curso de Direito por lá. Foi muito bacana ver os colegas na platéia. Esse ano, acabei me distanciando do pessoal, da agitação em grupo e das festas (em razão da monografia, dos artigos e das tentativas de ingressar num Mestrado) e perdi um pouco da minha sociabilidade, que era enorme nos primeiros anos de Faculdade. Mesmo com esse relativo distanciamento acadêmico-social, gostaria de dizer que fiquei muito feliz de ver o pessoal da UEM no show (obrigado!).

Bom. Não preciso resenhar o show inteiro, pois o jornalista Alexandre Gaioto já o fez. Reproduzo, portanto, a matéria publicada hoje no ODiario.com (valeu por ter ido lá, canalha!).


Nanan: trilha ideal para marcar o nascimento do Ella Clube

"A noite de sexta (5), no Polo Club Bar, começou com o coquetel de lançamento do portal Ella Clube, reunindo empresários, jornalistas, estilistas e amantes do universo da moda. O coquetel, que começou por volta das 20h e foi até às 23h, contou com uma série de desfiles e uma breve apresentação do conteúdo do site.

Depois do coquetel, a casa abriu suas portas para a galera curtir os maringaenses do Nanan. É possível contar nos dedos os bons grupos de samba rock existentes na cidade. Entre eles, Nanan possui, atualmente, o melhor show. Composto pelos ex-integrantes da banda de rock Frank the Tank, Nanan consegue levar para o palco o punhado de referências musicais no arcabouço de seus músicos, fazendo todo mundo entrar no clima de suas viagens sonoras.

De Jorge Ben Jor a Lenine, passando por Jet e Pixies: é assim que funciona o show de Nanan. O começo é tímido, com um sambinha para embalar o início da noite. Logo nas primeiras faixas, eles começam a misturtar os covers com as exceletes canções próprias. "A Casa da Esquina", bem suingada, mostra o talento da banda em compôr hits.

"Basta olhar para o palco e ver que o Nanan está cantando de uma forma verdadeira. Quando ele canta, é tão natural que é como se ele estivesse falando com a gente", observou a acadêmica Rannah Naja, 23.

No palco, o quarteto recebeu dois convidados especiais, um gaitista e um percussionista. O resultado dessa somatória foi enriquecedor. É impossível pensar em Nanan, a partir de então, sem esses dois integrantes. "É a melhor banda de samba rock da cidade que eu já vi tocar", derramou-se a estudante Ethiane Moreira, 20.

O início das versões inusitadas começou com "É Proibido Fumar", executada com uma pegada mais blues. No final da apresentação, o rock foi intenso - e a resposta do público, também. Nanan, primeiro, não conseguiu sair do palco. Os insistentes pedidos de bis foram antes uma exigência do público, que adiava (até quando?) a hora de ir embora.

Com "Are You Gonna be my Girl?", do Jet, e "Hey", dos Pixies, a galera estava decidida a não deixar a banda descer do palco de forma alguma. Se dependesse do público, Nanan estaria tocando, no Polo Club Bar, até agora. "Eles já estão prontos! O Renan canta muito bem e a banda tem um show empolgante", elogiou a estudante Gabriela Tranjan".

Um comentário:

prisci disse...

Muito bom, rafa!

o show de vocês ontem foi realmente de encher o coração de alegria.

faltava espaço no rosto pra abrir o sorriso merecido.

fiquei feliz de ver a alegria do teu pai e mais feliz ainda de ver as pessoas presentes... pessoas que fazem parte dessa história.

Parabéns.

(groupies, saiam fora. eles têm donas!!! hahaha)

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