Lou Reed @ SESC São Paulo

São Paulo é onde tudo acontece no Brasil. Não dá pra negar essa máxima... só numa cidade como Sampa, Lou Reed se apresentaria por R$ 20,00 no Sesc Pinheiros final de semana que vem. Sim. Estou falando de Lou Reed, o mito, a lenda, guitarrista/vocalista do Velvet Underground e possuidor de uma carreira solo extremamente cultuada, sendo produzido por David Bowie em excelentes discos como Transformer (um dos meus favoritos).

Lou Reed é uma daquelas figuras no cenário musical que não é uma pessoa, mas sim uma imagem pública eternizada e (inexplicavelmente) cultuada de forma unânime. Dizem que ele é a definição do cool.

Lou Reed, ao cento, ao lado dos comparsas do Velvet Underground, Nico e Andy Warhol (a esquerda)

Numa entrevista, em 1977, ele chegou a declarar que, na realidade, Lou Reed é apenas uma sedutora imagem construída pelo imaginário underground: "I've hidden behind the myth of Lou Reed for years. I can blame anything outrageous on him. I make believe sometimes that I'm Lou Reed. I'm so easily seduced by the public image of Lou Reed that I'm in love with Lou Reed myself. I think he's wonderful. No, it's not something I do to disguise my vulnerability or insecurity. Sometimes I just like being Lou Reed better than I like being anyone else".

De fato, não há muito que se explicar. Lou Reed é simplesmente cool. É a síntese do alternativo nova-iorquino e umas das grandes fontes de inspiração para todo o movimento punk.

Com relação a música, Reed é autor de alguns clássicos do rock, como Take a Walk on the Wild Side (1972). Aliás, essa é uma das músicas mais cool de todos os tempos (e, pra mim, fica numa disputa acirradíssima com Buena, do Morphine).



Genial, não? Ouvi muito esse disco em Londres - foi um dos primeiros álbuns que comprei depois do meu primeiro salário na capital inglesa. Se essa não for a música mais cool de todos os tempos, pelo menos é a que tem o melhor solo de sax da história do rock! Inegável, neste aspecto.

Mas é bom os fãs de Transformer não se empolgarem muito com esse show em São Paulo. Lou Reed não tocará nenhum dos clássicos de sua carreira, mas apenas o álbum Metal Machine Music, considerado um dos discos mais "inescutáveis" de todos os tempos.

O disco, lançado em 1975, é uma mistura de distorções, microfonias, reverberações, sons de máquinas, barulhos agudos, notas fora de lugar e muita, mas muita sujeira sonora - Metal Machine Music foi noise muito antes de existir bandas como Sonic Youth.

Portanto, não espere as sutilezas de composições como I'm Free, Vicious, Sweet Jane, e outros. O show deste final de semana não traz nenhuma melodia vocal, apenas distorções de três instrumentos: a guitarra de Reed, o saxofone de Ulrich Krieger e o sintetizador de Calhoun.


Não espere o mito do cool, mas sim o barulho instrumental mais insuportuvável (e ininterrupto) já gravado num disco de cinquenta minutos. Um exorcismo sonoro.

2 comentários:

Anônimo disse...

Quem não foi, perdeu. Foi um dos melhores shows da minha vida (sim, já fui em dezenas). Ele foi inacreditávelmente gentil com os fãs, no fim do show, agradeceu várias vezes, elogiou o público e ainda voltou pra fazer a versão mais linda de "I'll be your mirror" que eu já ouvi. Perfeito.
Ah, o Metal Machine? Foi perfeito também! Ainda melhor do que eu esperava! Lindo! Claro que não é um show de rock. Tá mais pra música clássica eletroacústica do século XX. Mas é isso que Lou Reed é, um clássico. Ele já é imortal.

Enrico Barbosa disse...

Eu discordo competamente do comentario antes postado, nunca fui em um show tão ruim em toda a minha vida, aquilo nao pode ser considerado musica, uma criança de 2 anos de idade com uma colher de pau e uma panela faz um som melhor (pelo menos mais audivel0, me decepcionei muito, pois sou fã do velvet underground, fiquei 30 minutos em um "espetáculo" fraquissimo, poderia ter gastado o dinheiro indo pro cinema.

Me surpreendo por ver que realmente tem gente que gosta de algo tão ruim e irritante como o show de ontem.

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