Aung San Suu Kyi: enfim livre!

Esse final de semana marcou a história de Birmânia (Burma, em inglês; também conhecida como Myanmar), um dos países mais repressores do mundo. No sábado (13/11), Aung San Suu Kyi - ativista, líder do movimento pró-democracia (National League for Democracy) e prêmio Nobel da Paz em 1991 - foi solta após 15 anos de prisão domiciliar imposto pelo regime militar de seu país.

"Manisfestantes divulgam a mensagem de Suu Kyi e a causa birmanesa"

Mas porque a libertação de Aung San é um momento histórico tão importante para a humanidade?

Segundo alguns historiadores políticos, Aung San Suu Kyi é o grande nome do pacifismo global. Ela pode ser comparada a Gandhi ou Nelson Mandela, em razão da liderança pró-direitos humanos que tem conduzido em Rangoon desde 1988.

De acordo com o Wikipedia, "Suu Kyi é filha de Aung San, o herói nacional da independência da Birmânia (também chamado Mianmar), que foi assassinado quando ela tinha apenas dois anos de idade. Depois de ter vivido em Londres, regressou ao seu país em 1988, por altura da morte da mãe. O seu retorno à Birmânia coincidiu com a eclosão de uma revolta popular espontânea contra vinte e seis anos de repressão política e de declínio económico no país. Em pouco tempo, Suu Kyi tornou-se a líder do movimento de contestação ao regime militar. Nesse ano de 1988, morreram dez mil pessoas em consequência das medidas de repressão adoptadas pelo regime. Após o seu partido (a Liga Nacional para a Democracia) ter obtido uma vitória esmagadora nas eleições de 1990, Suu Kyi viu-se remetida a prisão domiciliária pela junta militar que governa o seu país. A Birmânia - denominada Myanmar, a partir de 18 de junho de 1989 - continuou a ser dirigida pelo general Ne Win num regime ditatorial, mas a luta pela democracia ganhava crescente visibilidade e apoio internacional. Em 1990, Aung San Suu Kyi ganhou o prémio Sakharov de liberdade de pensamento, e em 1991 foi galardoada com o Nobel da Paz. Em 1995, o regime militar decidiu levantar a pena de prisão domiciliária imposta à Prémio Nobel, como sinal de abertura democrática dirigido à comunidade internacional. Mas sua liberdade durou pouco. Dos últimos 19 anos, ela passou 13 em prisão domiciliar".

Afinal, porque Aung San Suu Kyi representa perigo aos líderes birmaneses? A questão é muito simples. Caso Suu Kyi estivesse livre nesta última década, ela teria vencido toda e qualquer eleição presidencial. Ademais, conduziria uma série de reformas sociais e humanísticas que a oligarquia militar de Myanmar não deseja. A solução que encontraram foi mantê-la presa e silenciar sua voz.

Entretanto, o plano dos militares de silenciar Suu Kyi fracassou. Com sua injusta prisão, a comunidade internacional reagiu de forma organizada e deu publicidade à causa da democracia birmanesa. A campanha Free Burma ganhou notoriedade e aliou-se a um meio de comunicação social muito efetivo: as artes.





Além de Bono (que escreveu a canção Walk On em homenagem a líder birmanesa), importantes atores do mainstream norte-americano, como Jim Carrey e Will Ferrell, também fizeram campanhas de conscientização para a causa dos direitos humanos na Birmânia. Em maio de 2008, a campanha estadudinense ganhou novo fôlego e durante todo o mês o nome de Aung San Suu Kyi foi discutido em favor de sua liberdade. No cenário musical, a banda Matisyahu escreveu a música I Will Be Light em sua homenagem.



Agora, finalmente, existem motivos para comemorar. O fato de Suu Kyi não ter sido morta pelo governo birmanês (tal como fizeram com seu pai, Aung San, em 1947) é algo realmente fantástico. Mesmo que pacificamente - a luta de Aung San Suu Kyi molda-se no pacifismo da desobediência civil iniciado por Matmaha Gandhi na Índia -, ela representa grande perigo ao poder local. E nós sabemos o que acontece com quem representa perigo ao poder...

A liberdade de Suu Kyi representa um novo momento histórico para a Birmânia. É o reencontro do povo com seu líder. O reencontro de uma nação órfã com sua grande mãe.



Existem muitos motivos para comemorar. Como Bettina Ling escreveu: "Aung San Suu Kyi é uma inspiração para o povo de seu país e para o mundo. Sua crença no perdão e na compreensão não se aplica somente a lutas políticas, mas também na forma como as pessoas tratam as outras em sua rotina diária. Sua luta pela liberdade e democracia e seu comprometimento com a luta não violenta a conecta com líderes como Dr. Martin Luther King, Mahatma Gandhi e Nelson Mandela. Seus obstáculos, como os desses líderes, tem sido inúmeros, mas ela os tem enfrentado com coragem e com comprometimento inquebrável. Sua força e dedicação brilham como exemplos do que uma mulher pode conquistar, o que a humanidade pode conquistar, e o que nós, como um só mundo, devemos colocar como objetivo para atingirmos".

A liberdade de Suu Kyi significa também que ainda há esperança neste mundo marcado pela violência e pela incompreensão. E mais, significa também que a esperança pode ser, como bem colocou Jean Paul Sartre, nossa concepção do futuro: "É preciso explicar por que o mundo de hoje, que é horrível, é apenas um momento do longo desenvolvimento histórico e que a esperança sempre foi uma das forças dominantes das revoluções e insurreições, e eu ainda sinto a esperança como minha concepção de futuro".

O mundo pode comemorar. A libertação de Suu Kyi não é uma vitória apenas do povo birmanês, mas sim de toda a humanidade.

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