Ben-Hur Lima Pinto e a Trapobanda


O Ben-Hur (o "BH", esse cara aí de cima aparentemente de roupão) é um amigo de longa data. Longa data mesmo, há quase doze anos, desde quando mudei para o Edifício Guarujá e me tornei vizinho deste sujeito hilário, confiável e extremamente espontâneo.

Pra muitos de meus amigos (Bruno Vicentini, Michel, Nanan), Ben-Hur foi um guia espiritual-musical na adolescência. Ele foi o cara que me apresentou os Pixies e me ensinou a tocar o solinho de Where Is My Mind enquanto ele batia a base (E-Cm-G#-A) no playground do prédio, numa época em que tudo o que ouvia eram os clássicos discos do meu pai e o mainstream massificado pela MTV. Ele também foi o cara que me disse que fazer música própria é muito melhor que tocar as músicas dos outros, por mais tosca que seja a composição.

Ben-Hur era baixista, mas flertava com qualquer instrumento que fizesse som.

Apesar de mais velho, ele não ligava de andar com a molecada mais nova e sempre dava conselhos preciosos de vivência para todos nós. Mesmo muito jovens, nós sempre íamos aos ensaios e shows da Zero Bhala, a lendária banda que ele tinha com Guigo, Tadeu e o Doido (e que depois teve várias formações). De fato, eu e o Michel chegamos a fazer uma ponta no disco independente "Ao vivo e mal passado", fazendo os backings vocals de Vou Morar Lá Na Beira do Rio. Na época (no começo da década), tudo era uma grande farra.

O tempo passou e Ben-Hur tornou-se pai de um selvagem menino e acadêmico do curso de Produção Musical na Universidade Federal do Paraná. Além do baixo, passou a tocar outros instrumentos, como o fagote e o trompete (ou trombone!) e montou uma nova banda: A Trapobanda.

A Trapobanda ("A Misteriosa Trupe da Trapolândia") é uma das novas bandas do cenário musical curitibano e tem uma proposta musical diferente: a banda é uma grande fábula, na qual os músicos assumem o papel de personagens oriundos da Trapolândia.

Ben-Hur explica melhor: "exilados de sua terra pelo regime miliar ditador trapoleônico os músicos, com o consentimento da realeza deposta, se apresenta no Brasil afim de divulgar a música e os costumes dessa terra tão distante e que passa por problemas sociais sérios que o nome do lugar infelizmente faz parecer uma piada". Sim, é isso mesmo. A banda é uma comunidade imigrante de uma terra distante e faz um som peculiar, que se aproxima do Ska.

Vá até o MySpace da banda e entenda a história. A música Trapolândia (ah, que saudade de casa) diz tudo. Ouça também a modernosa Trapoleão. É diversão garantida.

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