Zeitgeist

O Renan (meu irmão, que estava em Maringá em razão de seu aniversário) foi embora hoje para Umuarama de ônibus, de onde partirá amanhã para Caiobá, no litoral paranaense. O músico se foi e deixou alguns filmes no meu Desktop, dizendo que "deveria assisti-los".

Parei os estudos as 19h e, mesmo com centenas de atividades acadêmicas a serem realizadas (pura irresponsabilidade), chamei a Pri para assistir "Zeitgeist", um dos filmes deixados por Nanan.

De fato, só o título já chama atenção. A palavra, segundo a (sempre questionável) Wikipedia, "é um termo alemão cuja tradução significa espírito de época, espírito do tempo ou sinal dos tempos. O Zeitgeist significa, em suma, o conjunto do clima intelectual e cultural do mundo, numa certa época, ou as características genéricas de um determinado período de tempo".

Muito bem. Mas o que isso (o espírito de uma época) tem a ver com o documentário do ativista Peter Joseph? Bem, tem tudo a ver, como você verá, caso opte por assistir ao filme.

Zeitgeist foi lançado virtualmente (e gratuitamente) pelo Google Videos em 2007, o que mostra a não-preocupação comercial do filme (e dá maior legitimidade às denúncias por ele realizadas). O documentário é dividido em três partes e aborda três pontos centrais do atual estágio da humanidade no início do Século XXI: a religião (The Greatest Story Ever Told), a Guerra ao Terror (All The World's A Stage) e o domínio das instituições financeiras (Don't Mind The Men Behind The Curtain).

Peter Joseph começa o documentário atacando todas as instituições religiosas do mundo. A mensagem é algo  como: "a religião é o ópio do povo", um instrumento de dominação encoberto por uma fé baseada em mitos, que remontam à própria origem das religiões com os deuses egípcios. A tese é a de que o Cristianismo foi inventado com base em antigas crenças pagãs no Deus Sol, o que Joseph procura demonstrar ao longo da primeira parte do filme.

Peço aos mais religiosos que não parem de ver o filme por se sentirem ofendidos com a tese de Peter Joseph. Digo isso pois as melhores partes do documentário são a II e a III. Falar de religião é complicado, todos nós sabemos. Mas quando Joseph aponta para as incríveis mentiras criadas pelo governo norte-americano (para sustentar a ideia de que o World Trade Center foi derrubado por terroristas) no 11 de Setembro, ele acerta em cheio.

A partir da segunda parte, o documentário deixa de discutir algo distante (a origem das religiões modernas) para trazer ao espectador uma realidade muito próxima, que é a invenção do terror mundial para legitimação de novas guerras (algo já debatido aqui no blog, com base nas obras de Noam Chomsky, Antonio Negri & Michael Hardt e Eric Hobsbawm). Nesta parte, o ativista deixa claro (e é difícil não acreditar!) que a queda das torres gêmeas foi uma demolição controlada pelo governo norte-americano.

A terceira parte também é muito bem desenvolvida. Apesar de extremamente conspiratórias (principalmente quando Joseph trata dos chips a serem implementados nos seres humanos para uma nova ordem mundial - algo que nos remete às pioneiras obras de Huxley e Orwell), as teses do documentário apontam para algo que é visível no mundo pós-crise de 2008: que o poder mundial (ao menos este de nossa realidade, o ocidental) está centrado nas mãos de uma elite, que utiliza-se do sistema bancário global para delimitar as instituições e regras a serem seguidas por todo o mundo.

Zeitgeist aponta para uma realidade não muito distante: a de uma nova ordem mundial, unificada e opressora de direitos fundamentais, tal como a liberdade. E o aspecto mais impressionante disso tudo é que as mudanças necessárias para a implementação de tal cenário político-social serão não só aceitas, como pedidas pelo próprio povo naturalmente, em razão da massificação cultural e ausência do pensamento crítico. Aliás, ausência do próprio pensar, pois o que fazem por aí hoje em dia não é nem o ato de pensar, é de reproduzir o senso comum (e suas falsas verdades).

Mas o filme não acaba de forma pessimista. Propõe uma nova visão (não tão nova assim), que é a da visão holística (Capra) e da organicidade homem-natureza. Isto pois ao mesmo passo que o filme foi lançado, Peter Joseph lançou o Movimento Zeitgeist, que existe até aqui no Brasil.

O movimento não é político. Segundo informações do próprio site, "ele não reconhece nações, governos, raças, religiões, credos ou classes. Nossos entenderes nos levam à conclusão de que essas distinções são falsas e ultrapassadas, e estão longe de serem fatores positivos para o verdadeiro potencial e crescimento humanos coletivos. Suas bases estão na divisão do poder e estratificação, e não na união e igualdade – nossos objetivos. Embora seja importante compreender que tudo na vida é uma progressão natural, devemos também reconhecer o fato de que a espécie humana tem a capacidade de retardar drasticamente e paralisar o progresso através de estruturas sociais obsoletas, dogmáticas e, por conseguinte, em desarranjo com a própria natureza. O mundo que vemos hoje, cheio de guerras, corrupção, elitismo, poluição, pobreza, epidemias, abusos aos direitos humanos, desigualdade e crime, é o resultado desta paralisia".

E assim prossegue: "Este movimento tem a ver com a conscientização em defesa de um progresso evolucionário fluido, tanto pessoal como social, tecnológico e espiritual. Ele reconhece que a espécie humana está num caminho natural para a unificação, oriundo de um reconhecimento comunal de compreensões fundamentais e quase empíricas de como a natureza funciona e de como nós, enquanto humanos, nos encaixamos/somos parte deste desdobramento universal que chamamos de vida. Embora esse caminho exista, ele infelizmente está obstruído e é desconhecido pela grande maioria dos seres humanos, que continuam a perpetuar modos de conduta e associações ultrapassados e, portanto, degenerativos. É essa irrelevância intelectual que o Movimento Zeitgeist espera superar por meio da educação e de ações sociais. O objetivo é revisar nossa sociedade mundial de acordo com o conhecimento atual em todos os níveis, não apenas conscientizando sobre as possibilidades sociais e tecnológicas que muitos foram condicionados a pensar serem impossíveis ou contra a “natureza humana”, mas também para fornecer meios de superar esses elementos que perpetuam estes sistemas obsoletos na sociedade".

Bacana, não?

Bom, agora que você já sabe um pouco sobre o filme, você tem condições de lançar um olhar crítico à obra de Joseph Peter. Reserve duas horas do seu dia e assista. Acreditando ou não, vale e pena. É um filme que estimula o pensar, o que é mais importante num documentário.


2 comentários:

Marco disse...

Po cara, já assisti esse documentario,é muito foda!!! ANIMAL mesmo!!!

Michelle disse...

ah eu vi uns vários videos sobre isso esses dias... essa coisa de nova ordem mundial + teorias conspiratórias = não tenham filhos

parece que tem esse grupo illuminatti que domina o mundo desde o egito e vai implantar os chips, liquidar 80% da população mundial, vigiar tudo e etc.
bem aquela do admirável mundo novo, nós e 1984 e tal...

bem cabreiro né oO

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