Pavement: os caras originais do rock alternativo

Muita gente ainda não conhece Pavement. É que além de estar restrito ao universo do rock, o Pavement é uma daquelas bandas que nunca fez parte do mainstream, apesar de ser iconizada por muitos como a maior banda alternativa (indie rock) do século passado.

A par da discussão sobre o quão alternativa é a banda (se é que isso nos leva a algo positivo), o Pavement sempre foi uma banda original, sem sombra de dúvidas. A própria origem da banda é original. No final da década de 80, enquanto muitas bandas independentes norte-americanas faziam centenas de shows, com o objetivo de firmar um público fiel (e ter algumas músicas conhecidas) para depois lançar algum material, a banda da desconhecida cidade de Stockton (na Califórnia) inverteu a ordem das coisas: era uma banda de estúdio que nunca se apresentava. De fato, ninguém sabia quem eram os caras que faziam aquele som diferente, com guitarras confusas e vocal desleixado, que lembrava Television, Sonic Youth, REM, The Fall, Devo, mas não parecia exatamente com nada.

A originalidade do Pavement é que eles não passavam (nem queriam) nenhuma imagem forçada (seja de punk, seja de hardrock). Eram jovens da Universidade de Virginia que faziam um som diferente e autêntico, com letras de um garoto magrelo (quem sabe um gênio) chamado Stephen Malkmus.

Não demorou muito para a banda ficar conhecida entre os leitores de revistas/fanzines de rock independente nos Estados Unidos. Quando lançaram o primeiro disco, Slanted and Enchanted (1992), foram eleitos pelas grandes revistas como a Rolling Stones como banda revelação. Somente a partir daí o Pavement começou a se apresentar em grandes shows. Daí pra frente, a banda iria alcançar relativo sucesso, atingir o ápice com Crooked Rain, Crooked Rain (1994) e dacair com os álbuns seguintes (em termos de originalidade), mas sem perder a qualidade das composições e letras, com os discos Wowee Zowee (1995), Brighten the Corners (1997) e Terror Twilight (1999), último disco antes do anúncio do fim da banda.

A banda encerrou as atividades e tornou-se uma lenda, propagando-se entre os fãs de música sem o menor esforço. A internet fez manter acessa a chama do Pavement até que eles anunciaram ano passado (dez anos depois, após muitos projetos solos) o retorno do grupo para algumas apresentações.

E pasmem, o Planeta Terra anunciou anunciou que terá o Pavement como line-up para o evento do dia 20 de Novembro em São Paulo, junto com o Smashing Pumpkins, outra banda cultuada da década de noventa.

Incrível, não?

Para mim, parece até brincadeira. Até ano passado (antes do anúncio do retorno), parecia algo inimaginável um show do Pavement no Brasil, até porque a banda era simplesmente uma lenda. Aliás, eu os conheci (primeiras vezes que ouvi) em 2002, três anos depois do tal "fim da banda".

Outra ironia é que eles dividirão o palco com Smashing Pumpkins. Falo isso porque na letra de "Range Life" (Crooked Rain, Crooked Rain), fica claro que a banda está esculachando a banda de Billie Corgan, que sempre quis passar uma imagem de alternativa/cool - o que parecia falso para Malkmus, sempre muito crítico em suas análises mundanas: "out on tour with the smashing pumpkins / nature kids, they don't have no function / i don't understand what they mean / and i could really give a fuck."

Repare neste verso, é o primeiro depois do segundo refrão!



Só o Pavement pra fazer uma música assim.

4 comentários:

Rafael Zanatta disse...

Pra ver mais da história do Pavement, Cf. JOVANOVIC, Rob. Perfect sound forever: the story of Pavement. Boston: Justin, Charles & Co, 2004. Disponível em: http://books.google.com.br/books?id=qEDy-DVH6usC&printsec=frontcover&dq=pavement&hl=pt-BR&ei=BbBRTPjfIYSclgf3l73lBA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CCwQ6AEwAA#v=onepage&q&f=false

menino de rua disse...

Quero ver eu não ir!

Bruno Vicentini disse...

puta que pariu, mas até aqui você tem que fazer citação nas normas da ABNT? mas que caralho!

jovem disse...

você tá pensando em ir? vamo aí, rafa, vamos estragar tudo por lá.

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