BBB em análise

Direto do Blog do Professor Cesar, que, por sinal, é meu sogro (e blogueiro).

"Hoje to a fim de sair na rua e quebrar um bar!"
"Sou homem (macho), não aceito qualquer coisa fora disso!"
"Sem fé!"
As frases acima, ou são íntegras, ou refletem em conteúdo, frases ditas pelo campeão do último "reality show", apresentado na mídia televisiva brasileira nos últimos tempos (esse aliás terminou em menos de 24 horas).
Antes de discutirmos as frases, vale a pena abrirmos um parantesis e tentarmos refletir sobre o que é um reality show, de verdade.
  1. É um programa de televisão, logo patrocinado por alguém, enfocado a partir da doutrina de uma organização de comunicação e editado técnicamente no sentido de excluir falhas e incorreções.
  2. Tem como personagens, sujeitos escolhidos pela organização de comunicação que produz o programa. Mesmo que a escolha seja feita a partir da candidatura dos participantes, a organização é quem tem a prerrogativa da escolha (muito provavelmente é por isso que os escolhidos componham, na sua grande maioria, um elenco de jovens, brancos, incluídos socialmente (quando não, que tenham visibilidade em seus grupos), boa classe social, com o padrão de beleza e fisico próprio de modelos e manequins e distribuidos em segmentos geográficos que tenham a atenção da organização de comunicação produtora). Apesar de algumas tentativas, nunca se veem negros, indios, mestiços ou gordinhos, por exemplo, com destaque no programa.
  3. A exclusão dos participantes, no jogo proposto pelo escopo do programa, se dá a partir de eleição de uma maioria de telespectadores. O fato de que tal critério de escolha, não considere aspectos como audiência, interesses dos patrocinadores, destaque do participante na mídia externa ao programa, preferências produzidas, entre outros, deve ser reconhecido críticamente como um problema de produção, que portanto deve, em algum momento, ser corrigido.
  4. Os personagens, muito embora tenham liberdade de ação dentro do "confinamento" proposto ao programa, assinam anteriormente um contrato de conduta, que os limita de algumas coisas e os indica outras que devem ser feitas.
  5. Nada do que foi relatado acima é suprimido pela organização de comunicação, ou desconhecido por ela.

Agora, voltemos ás frases.

Lembra das frases?

Então ...

Se o sujeito que as diz, é campeão nacional do tal programa, fica implícito que o mesmo influencia uma considerável fatia de telespectadores, certo?

Essa influência é notada, quando tomamos conhecimento de "seguidores" de sujeitos como esse, que se nomeiam com diversos títulos, tais como máfia dourada, coloridos, sarados, cabeças, entre outros (alguns até sugeridos pelo próprio programa).

O que de certa forma preocupa então, é que os hábitos criados pelos personagens, virem axiomas comportamentais.

Voce sabe o que é um axioma comportamental?

É uma proposta de comportamento, tão evidente, que não precisa ser demonstrada ou previamente criticada para ser copiada. A reprodução se faz automaticamente.

Cada um de nós é influenciado pelos personagens propostos pelas mídias de massa, não é verdade? Esta verdade se prova com a existência de estratégias como as do marketing de experiências, do marketing de pessoas, entre outros (CHURCHIL et.al., 2003; KOTLER e KELLER, 2006). Quantas vezes você mesmo não quis ser o mocinho da novela? \Ter o carro do ricaço do filme? Os relacionamentos do craque do time de futebol? A pinta "playboy" do galã da novela das oito? Ou até mesmo os músculos do "grande irmão" do reality show?

Esse texto não tem a intenção de dizer o que é certo ou errado. Caso essa fosse a intenção, já seria um erro. A verdadeira intenção é promover em cada um, a reflexão sobre tais circustâncias. Essa reflexão pode resultar uma decisão a partir de tais programas.

Há alguns que resolverão nunca mais assistir os programas. Outros podem decidir nunca mais perder uma edição. Outros até podem se candidatar à próxima edição.

Em edições anteriores, foi possível o uso de uma estratégia com relação ao programa. Chamou-se "estratégia do minuto", e propunha não assistir mais do que um minuto do programa todo, ao longo de todos os três meses da sua exibição. É necessário explicar que esse minuto, salvaguarda o tempo necessário para trocar de canal, quando por acaso se está assistindo algo no canal em que passa o programa e a organização faz a propaganda para se assistir o mesmo "a seguir". Se por acaso você não assistir nunca esse canal, pode-se reduzir mais ainda esse longo tempo na estratégia.

Outro objetivo deste texto é refletir sobre dois possíveis sintomas que programas como esse podem produzir.

O primeiro é a massificação de comportamento a partir da aceitação dos axiomas propostos. A massificação retira das pessoas elementos importantes como equilibrio, criatividade, liberdade, interação, troca, críticidade e muitos outros.

O segundo sintoma é a possibilidade de substituição nas pessoas, da virtude da inteligência, pela chaga da desinteligência.

A nós resta, depois de quase 3 meses de um programa como esse, a angústia da dúvida: Somos quem queremos ser? ou "Somos quem podemos ser", parafraseando Gessinger (1988), quando afirma que "a vida imita o vídeo".

Leia, reflita, discuta e tome suas próprias decisões e siga seus próprios caminhos a respeito.

3 comentários:

Bruno Vicentini disse...

cesão! nossa espécie de dr. chapatim! o velho mais jovem que eu conheço!

Gabriel disse...

ai, colegal, eu sou fã do dougado

Junior Bellé disse...

Rapaz, sinta-se a vontade para musicar aquilo, eu não tenho talento algum pra isso.

Agora, sobre o texto: onde eu assino?

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