A música inesperada

Existe uma magia indescritível em ouvir uma excelente música de forma inesperada. É difícil de explicar, mas é fácil exemplificar. Pode acontecer, por exemplo, ao pegar uma carona num carro velho de um desconhecido em Ribeirão Preto e ouvir "Snakecharmer", do Rage Against, e descobrir a energia dessa música. Ou num congestionamento, ligar a Universitária FM (UEM-FM) e se tocar da densidade de "Haiti", de Caetano & Gil.

Mas não é somente de maneira inesperada que a sensação é boa. Pode ser que ocorra ao entrar numa loja de discos em Londres e ouvir uma banda nova e competente, como o Vampire Weekend. Ou então, pegar uma noitada em algum pub ou bar, seja em Curitiba, seja em Maringá, e ouvir bandas incríveis. Chegar numa festa aparentemente sem graça e rolar uma bela roda de violão com Chico Buarque. Ou simplesmente ouvir uma música que você goste ao comprar um tênis novo no Avenida Center.

Pode acontecer. E geralmente acontece.

Mas acho que um dos mais imprevisíveis encontros musicais que tive, e que felizmente foi registrado, aconteceu numa cidade mágica: em Praga, na República Tcheca.

Estava um frio danado (-4º graus) e nós estávamos fazendo as típicas rotas turísticas no centro histórico de Praga. Eu havia comprado uma latona de cerveja, uma Pilsener Urquell, e estava contemplando toda a beleza de uma das mais emblemáticas pontes de Praga, a Charles Brigde.

E foi lá, no meio daquela ponte, que nosso grupo se deparou com um bando de tchecos tocando um blues de mississipi, ou melhor, um bluegrass sulista, com muita paixão e autenticidade. Foi uma loucura. Algo inesperado. Um prazer auditivo maluco.

Os caras estavam mandando essa sonzeira:


É só um trecho, mas deu pra ter noção da energia desse pessoal, tocando em pleno inverno rigoroso, não?

Pesquisando sobre esses malucos da Charles Brigde, descobri que existem vídeos de diversos anos (2006, 2007, 2008, 2009) com eles tocando no exato mesmo local. Eles devem ser sujeitos conhecidos no centro da cidade, e provavelmente gastam todo o dinheiro arrecadado com cerveja tcheca, pois nota-se que o vocalista está sempre com a mesma roupa (o primeiro vídeo, o de cima, foi gravado por mim, os outros dois de baixo são de turistas não-sei-de-onde):




Sensacional. Acho que foi o melhor encontro que tive com música, ambiente e cerveja. Um daqueles momentos de ouro pra se guardar pro resto da vida, com um nostálgico sorriso.

3 comentários:

Junior Bellé disse...

Porra, boa lista também. Estava pensando nisso de arrolar umas bandas internacionais. Mas esse ano foi tão verde e amarelo por aqui que to com medo de não ter tratamento pra chauvinismo musical. haha Una mierda, escutei muita coisa gringa velha esse ano. Mas é bom.

Cara, é Praga, dizem que esse lugar é lindo. Praga ainda me lembra o Movimento Anti-Globalização, mas essa lembrança já tá ficando pra trás.

Até mais, parabéns pelo blog.

Rafael Zanatta disse...

Realmente Junior, movimento anti-globalização já não tem muita força. Tem KFC, McDonalds e Starbucks pra caramba em Praga!

Renatão disse...

"La canción inesperada" - Wander Wildner

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