La Breeze

Saí para correr hoje no Parque do Ingá, pela primeira vez no frio aqui de Maringá nesse ano. Aliás, deve estar frio na cidade há quase um mês, ou mais. Péssimo sinal em relação ao meu condicionamento físico.

O engraçado foi a sensação de estar correndo em Londres, como eu fazia no meu bairro (West Hampstead). A calça de moletom, a blusa, o som no fone de ouvido, as extremidades geladas, a fumaça saindo da boca à cada respiração ofegante, o nariz e a garganta sendo prejudicados pela inalação de ar frio. Foram tais sensações que me transportaram para o velho continente, lembrando dos dias em que eu me dedicava ao running, ao invés de tomar Guiness.

Se eu fechasse os olhos, poderia me imaginar nas antigas ruas de meu antigo bairro londrino. Casas altas, velhas (a maioria construída no começo do século passado), bairro bem arborizado, bem organizado.
Eu lembro bem do trecho que eu fazia. Eu tinha um trajeto fixo, que eu repetia até não aguentar mais. Partia da Broadhurst Gardens, corria duas quadras em direção à estação de West Hampstead, virava à esquerda na Fairhazel Gardens (rua íngrime, estreita, agradável, repleta de casas de tijolos marrons com pequenos jardins frontais), descia correndo suas longas quadras até chegar na esquina com a Goldhurst Terrace. Lá, tinha uma velha igreja quase caindo aos pedaços. Ela era minha referência. Dali (0,5 milhas), eu voltava correndo até a entrada do prédio. Depois, descia novamente o trajeto, e voltava até em casa.

Nesse vai e vem, de milha em milha, dava pra correr legal. Como eu só tinha um mp3 player de 1 GB (presente do meu pai antes de viajar), eram sempre os mesmos álbuns que eu ouvia: Parklife do Blur, On Every Street do Dire Straits, Favourite Worst Nightmare do Arctic Monkeys, Greetings from L.A. do Tim Buckley, OCMS do Old Crow Medicine Show, Dog Problems do The Format e mais algum que não lembro. Eram bons parceiros de corrida.

O lance é que como lá sempre estava frio, aquela cold breeze constante de Londres, eu não achava ruim de sair pra correr. Agora aqui em Maringá, qualquer friozinho já é motivo pra cancelar a corrida no parque. E além de cancelar a corrida, é motivo pra pedir uma pizza e comprar um vinho. Aí não tem barriga que não aumente.

Um comentário:

prisci disse...

on amor.
dá saudade de tudo em Londres.

Como disse o Benê pra May, hoje na Cultura, quando ela disse que não tinha vontade de ir, "Não tem vontade não vai... Pq é uma daquelas coisas que a gente não deve conhecer, pra não sofrer com a ausência" - visão pessimista, mas que me fez rir, ao conversarmos sobre a vontade de voltar.

Anyway, Paris. hehehe

;*

Como sempre, te amo.

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