Alceu Valença - Vivo!

Nossa, faz muito tempo que não escrevo sobre um álbum. Aquela resenha colada do No Line On The Horizon não conta. Eu nem me dei o trabalho de pensar em como expressar minha visão sobre o álbum, apenas reproduzi uma crítica que concordei em todos os aspectos.

Ocorre que hoje, no carro, ouvi novamente o álbum Vivo! (1976) do Alceu Valença. E senti pesar nos ombros a tarefa de desmistificar Alceu Valença pra vocês, jovens colegas. É que quem pensa em Alceu, logo lembra de alguem mais velho cantando Morena Tropicana num Videokê. É uma remetência mental lastimável à esse grande cara. Deixa eu falar um pouco dele, depois do álbum, depois deixar o link. Daí você me diz se mudou sua velha visão sobre esse artista nordestino.

Alceu Valença:
Alceu veio do Pernambuco. Duma cidadezinha chamada São Bento do Una. Quando era criança se envolveu com a música através dos cantadores de feira e de sua família, que tinha forte veia artística. Foi pra Recife. Lá, se formou em Direito e trabalhava no Jornal do Brasil como correspondente. E daí, largou tudo. Viu que a arte pulsava mais forte em suas veias do que a carreira profissional.

Valença misturou todo o seu conhecimento em música nordestina (duplas de emboladores, maracatus, rabecas, pandeiros) com a psicodelia fervilhante dos anos 70. Mudou-se para o Rio de Janeiro com Geraldo Azevedo e começou a tocar no circuito universitário Rio-São Paulo. Lá, reconhecido como um dos grandes nomes da música, assina com a Som Livre e grava diversos discos.
O álbum Vivo!:
O disco Vivo! é um disco muito louco. Na primeira audição, você fica espantado com e estilo das canções, a psicodelia da banda, os gritos insanos de Valença, as mensagens poéticas, a riqueza da linguagem e da sonoridade brasileira e universal.

Obviamente, é um disco ao vivo. E mostra uma fase pouco conhecida do Alceu Valença de hoje. O set-list é:
1. Casamento da raposa com o rouxinol
2. Descida da ladeira
3. Edipiana nº 1 (Alceu Valença - Geraldo Azevedo) / Emboladas (Treme Terra-Beija Flor)
4. Você pensa
5. Punhal de prata
6. Pontos cardeais
7. Papagaio do futuro / Emboladas (Treme Terra-Beija Flor)
8. Sol e chuva

As letras são muito ricas. Bem construídas e carregadas da poética dos repentistas e cantadores do nordeste. Impressionante como eles sabem bem trabalhar a língua portuguesa em seus mais variados sentidos.

Pra mim, Punhal de prata, papagaio do futuro e Sol e chuva são as obras-prima do álbum. São canções embebecidas de cultura nordestina na sua forma mais rock (seguindo as influências da fusão rock x regional brasileiro, proposta pelo tropicalismo), com interpretações viscerais. Dizem que Alceu Valença nesta época não era MPB. Era rock. Eu não sei. É difícil falar e eu não gosto de rotular. Eu sei que é bom, é coisa fina.

O álbum está disponível aqui. Divirtam-se! "Quem sabe, sabe, quem não sabe, sobra."

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