Mio fratello è figlio único

Fazia um bom tempo que não alugava um filme. Muito menos ir ao cinema. Acho que o último filme que assisti nas telonas foi "Taken", num cinema lá em Camden, Londres.

Quinta a noite estava frio, e bateu uma vontade de alugar um bom filme e comprar uma garrafa de vinho. Convidei o Bruninho e a Rannah para nos acompanharem aqui na casa da Pri, mas o Bruninho estava com compromissos. Liguei para a Lari e o Rocha e eles toparam. Ficou combinado as 21h00min, na casa da Pri (acho que já posso utilizar o termo "aqui em casa", considerando que não moro mais lá no Borbagato).

Fui à locadora e fiz meu cadastro. Não sabia o que pegar, sabia que tinha que ser algo bom - definitivamente algo não-hollywoodiano. Dois filmes me chamarama a atencão, pois já tinho lido resenhas dos mesmos no London Paper: o inglês Control e o italiano Mio fratello è figlio unico. Como o filme inglês é em preto-e-branco e conta a história do vocalista da banda Joy Division, saquei que seria um excelente filme pra eu assistir sozinho, mas que não agradaria os outros três (Pri, Lari e Rocha). Peguei o italiano. Confiei nas boas críticas do jornalzinho londrino.

Fui pro Muffato procurar uma garrafa de Cabernet Sauvignon. Dentre as vinícolas, achei um uruguaio por R$ 11,10. Hesitei um pouco, por não conhecer a marca, mas peguei. Na hora de pagar pelo vinho, o valor no caixa saiu como R$ 15,00. Tive que ir lá, pegar o preço que estava na etiqueta amarela e provar que a propagando dizia R$ 11,10. A gerente veio e me deu razão. Paguei o valor que estava ofertado.

Peguei a Pri na Cultura Inglesa e fomos pra casa. Depois de uns 15 minutos chegou o Césão (pai da Pri). Convidei ele pra assistir ao filme e tomar vinho. Ele topou na hora e ainda pegou um vinho da sua coleção, abriu uma garrafa de Chiroubles, excelente vinho francês.

Rocha e Lari chegaram e apertamos o play no DVD, com taças cheias.

O filme é incrível. Ambientado na Itália dos anos 60 e 70, conta a história de dois irmãos: Manrico, comunista rebelde, galanteador, com tendências para a delinquência que lidera o movimento de esquerda na cidade de Latina; e Accio, ex-seminarista impulsivo, briguento, que se filia ao movimento fascista de sua região. Entre os irmãos, a paixão (mesmo que discreta de Accio) pela mesma mulher: Francesca.

Os personagens são bem expressivos a em alguns momentos até de forma exagerada, como na forma que é retradado o estilo "porrada pra todo lado" dos fascistas, ou os discursos de Manrico. Mas a história é encantadora e o jogo de câmeras é sensível e belo, como na cena que demonstra Accio envelhecendo, sendo afogado num tanque de lavar roupa pelo seu irmão Manrico.

Além da história, não tem como não se divertir com o jeito dos italianos. A fala rápida, a gesticulação, a sexualidade, o temperamento esquentado, o bom humor, tudo é um atrativo para os personagens e para o filme em si.

É um bom filme que eu recomendo. Não sei se foram as duas garrafas de vinho, mas o filme me conquistou.

Se puder, faça o mesmo: compre um bom vinho e alugue o filme. É um bom programa garantido.

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