Caótico...mas nem tanto.

Putalamerda, os dias estão passando rápido demais. Nem dá pra acreditar que já faz quase 3 meses que eu saí de Londres. Minha memória está tão viva, eu vivo sonhando que ainda estou lá, indo pro trabalho, encontrando as pessoas, andando naquelas ruas frias. E não é só no sonho...hoje durante a aula do Medina eu me perdi em pensamentos e quando me dei conta estava olhando pela janela do décimo primeiro andar dum hotel a cidade de Praga. É tudo tão surreal. Há pouco tempo eu estava lá, andando na periferia da velha Budapeste, agora aqui, cercado de universitários e do calor da novíssima Maringá. E daí você se pergunta: quem é você? que diabos você está fazendo aqui? Daí é melhor você não ficar pirando nesses pensamentos e arrumar logo umas coisas pra fazer.

Bom, foi isso que eu fiz. Arrumei aulas de inglês pra dar, arrumei matérias no curso de Direito pra me dedicar, arrumei um grupo de estudos sobre os Precedentes no Direito Brasileiro, arrumei um Centro Acadêmico pra participar, e agora fico com aquela sensacão de sufoco: não consigo abrir um livro sossegado ou pegar a guitarra e me perder na música por algumas horas.

Daí bate um desespero: preciso de dinheiro e não consigo. Tem que pagar o carro, tem que pagar o álcool do carro. E se eu arrumar um estágio? Me deparei com essa idéia e até fiz o concurso pra estagiários da Caixa. Não sei se foi uma boa idéia, mas dei um tiro no escuro. Mas peraí...se eu já estou sem tempo agora, imagina com um estágio? E o grupo de estudos? Tem mais de mil textos pra ler e discutir em grupo, tem textos pra traduzir do italiano pro português, do inglês pro português, do francês...você fica meia-hora pra transcrever um parágrafo e comeca a se sentir frustrado. Hum, e o Projeto de Iniciacão Científica? Só tem até final do mês pra ter em mãos o projeto, como que fica? Preciso escrever, preciso delimitar uma linha de pesquisa!

Tudo parece caótico.
Tá, mas não é bem assim. Esse também é só um lado da moeda. Apesar dos pesares, ainda tem tempo prum chopp no boteco. Pra tomar um café com o pai. Pra ir pra beira do rio no final de semana e ficar no rancho novo do Césão...pra ir pro litoral visitar a mãe na Páscoa (embarco quarta a noite pra Curitiba, depois Caiobá).

Minha vida é tão cheia de oportunidades que eu até fico meio mal de reclamar. Mas acho que é inerente ao homem reclamar da rotina, mesmo que ela não seja tão desgracada, como a de muitos nesse país.

Bom, esse post não teve maiores objetivos. Foi só uma folha em branco pra poder preencher com algumas palavras. Eu sei que as coisas não estão fáceis pra ninguém...e se tiver, é porque tem alguem ralando muito pra você estar sossegado. A sociedade é assim, uma balanca bem injusta. Mas como diria Lennon: a working class heroe is something to be.

3 comentários:

Rodolfo disse...

Nossa ateh que enfim.... algo novo aqui nesse blog.... o dissecamento do frank ja estava tao dissecado que sei la.....

esse post eh bem a sua cara hein.... lendo consigo lembrar das conversas que tinhamos aqui no velho london zoo...

e que final hein... citando Lennon....

saudades cara... teh mais

prisci disse...

engraçado eu ler esse seu post hoje.
Hoje, estava lá perambulando na sala dos professores da Cultura, deixando um recado pra eles no quadro branco, quando vi uma revista da Daslu, coisa que eu náo tinha visto antes. Curiosa (como mulher, que sou) peguei a revista e fui pra secretaria matar tempo, começei a folhá-la, e quanto mais eu o fazia, mais eu ficava nervosa. Até que uma hora falei em voz alta, pra Dani (secretária) ouvir: "To ficando nervosa com essa revista" - resumindo um pouco ela veio até mim e depois de conversarmos sobre umas coisas exageradas e outras até bonitas ela decidiu me contar algo que havia acontecido hoje mesmo no Cesumar (onde ela estuda):
Dani: Pri, aproveitando a brecha, vou te contar algo que aconteceu comigo, estava eu no Cesumar, fazendo trabalho de Coqueteis no curso de gastronomia, quando uma colega de grupo desabafa: `Gente, a vida tá muito dificil, eu e meu marido estamos vivendo muito aperto. Os R$ 8.000,00 dele mal conseguem pagar nossas contas. Ele tem o Cross fox que ele me deu pra pagar (ela nao dirige), a minha faculdade... To pensando em ter um filho, pois assim ele consegue um auxilio R$ 800,00 de bolsa-creche.

Sem mais, já com gastrite, termino meu "comment".

Beijo, te amo, saudades...

Bruno disse...

o mal da naftalina é a vitória da traça! abraço

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