Keep it clean (camera obscura)

Nossa. To cansado..to morto, dog-tired, como dizia John Cofee em Green Mile.


O dia foi exaustivo. Acordei nove da manhã, tomei um sucrilhos com leite e banana e a arrumacão comecou. Tudo que era tecido pra fora do quarto. Tudo. Tudo em sacolas plásticas pretas, daquelas enormes que dá pra por alguém depois que você mata. Brincadeira.

Depois, aspirador de pó no quarto inteiro. Móveis pra cá, móveis pra lá. Logo de manhã minhas costas já estavam doendo. Mas perá lá, tudo por um bom motivo. A morte dos bed-bugs. Depois do aspirador, o mop. E depois, paninho nos móveis, paninho nos vidros. Foi uma faxina feroz.

A cozinha virou uma zona. Um depósito de coisas nossas. Aposto que os flatmates ficaram incomodados, mas o que fazer numa situacão dessas? Bom. Por mais que a Pri tenha deixado um bilhete falando que eram roupas dentro dos sacos pretos, ficou um saco com várias coisas da estante perto da porta, e a Josi, paulista que mora no quarto de cima, achou que o saco era um lixo e jogou uma caixa de suco de laranja dentro e ainda despejou um resto de arroz por cima. Foi tenso na hora que eu vi aquela nojeira. Falei que aquilo não era lixo, eram coisas nossas. Ela deu risada, o que não me agradou muito, e eu tirei a caixa de suco com arroz por cima. Acontece. Vai ver a culpa é nossa.

Uma da tarde, chegou o Léo, "El Matador", como dizia no anúncio da revista. Chegou cheio de aparatos, mais parecia um Ghostbuster. Até fiz essa piada sem graca quando ele chegou: -Cê tá mais pra Ghostbuster, hein cara! Ele riu de canto, como quem diz: -Porque todo mundo faz esse comentário cretino? Pois é. Dei uma de cretino e fiz o tal comentário.

Ele avaliou a situacão e soltou a notícia trágica: vai ter que jogar tudo fora. Suporte da cama, ou melhor, das camas, sofá, tapete, tudo. Desmontamos as camas e levamos pro depósito do prédio. O sofá ficou no corredor. Falou que depois me ajudava.

Ele aplicou o veneno e falou o que eu já sabia: todas as roupas devem ser lavadas. Já tava tudo em sacolas na cozinha. E eu, de duas em duas horas, tirando roupa da máquina, estentendo no varal coletivo lá embaixo (no térreo do prédio), e colocando roupa nova na máquina.

Assim que terminou, ele disse que precisava correr pro carro, porque só podia ficar meia-hora na vaga e já tinha renovado uma vez (uma hora tinha se passado). Ele me ligou do celular depois: "-Tem como você descer aqui? Não posso sair de perto do carro, senão eles me multam." E multam mesmo. Os guardinhas de Londres são foda. Não tem conversinha.

Desci, saquei o dinheiro na esquina e paguei os £ 70,00. O "matador" disse então que eu precisava comprar verniz (varnish) e passar na parte de trás de todos os armários, principalmente nos cantos da tampa, pra garantir que não fique frestas no armário - local preferido pelos bugs.

Fui então na HomeBase e fiquei um puta tempo pra achar o Varnish certo e os pincéis pra passá-los. Voltei pra casa e dei uma de pintor, comecei a passar verniz nos armários e nos rodapés. Como cansa fazer tudo isso. Bato palma agora pra essa galera que trabalha com isso - que trabalho chato do cão!

Tive então que correr pra Primark. Peguei o metrô (lotado!) até Marble Arch e rodei a loja atrás de duvets, pillows, duvet cover, sheet, fitted sheet, camisa nova, moletom novo, pijama novo, tudo novo pros três - já que não temos roupa limpra pra entrar no quarto, tá tudo secando. A loja lotada, lotada como sempre. E eu com tantos sacos que mal cabiam na mão. Não é fácil carregar dois edredons, três travesseiros, duas roupas de cama completas e mais roupas pra mim, Vini e Pri. Foi foda. Tenso e foda. E pra voltar então? Pegar ônibus com sacolas imensas não é uma coisa legal. Mas mesmo assim, todo desajeitado, consegui voltar pra casa.

Lavei mais roupas. Já era 19h30 e eu não tinha comido absolutamente nada. Fui no pub Walkabout e pedi um classic burguer e UMA PEPSI. Não achei que ia tomar refrigerante num pub, mas, como eu disse anteriormente, estou num regime disciplina de desintoxicacão. Fiquei lá curtindo Chelsea x Roma, torcendo secretamente pra Roma sem demonstrar muito. Sabe como é, não? Quem vai torcer pra Roma sendo que o Chelsea é um time londrino? Só se o cara torce pro Arsenal, daí sim. Só vi o primeiro tempo e foi meio chato. Bom mesmo foi o meu burger. Com batata e salada num prato, tudo por £ 5,00. Adoro Meal Deals. Sempre faz bem pro bolso.

Cheguei no corredor e dei de cara com sofá. Que merda. O sofá ali desde uma da tarde, atrapalhando a passagem do prédio inteiro e ninguém pra me ajudar. Tive que descer o maldito sozinho, me ralando todo. Sem brincadeira, só de levar o sofá pro depósito já me cocei inteiro. Será que os bugs são tão sagazes assim?

Voltei pro quarto e comecei a arrumar os colchões no meio do quarto. Depois, tirei as compras dos pacotes e coloquei as capas, os lencóis, o edredon, a capa do edredon, os travesseiros, as capas dos travesseiros. Cacete-de-agulha. Por isso que tô quebrado. Esses exercícios todos me cansaram. Parece pouca coisa, mas somado ficou pesado. Eu sou apenas um rapaz!

Nesse meio termo ainda escrevi um poeminha sobre a reforma ortográfica, que o Michel ficou falando no MSN. Depois eu a mostro.

Quanto tempo será que eu aguento lendo Capote com esse sono?

Facam suas apostas. Eu dou a resposta amanhã, se eu lembrar de quanto tempo consegui ficar acordado.

Um abraco. E boa noite. Sem bugs. É o que eu espero.

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