the time has come again

Olá a todos.


Mais uma manhã chuvosa em Londres. A cada dia fica mais frio nessa ilha. Com certeza o verão acabou, agora só tenho o outono, meu aniversário no velho continente, o inverno e depois o retorno para casa. É estranho pensar em casa, sendo que eu sinto que não tenho casa ao certo. Eu sei que é Maringá, eu sei que é uma casa alugada no Borbagato e eu até vi diversos vídeos e fotos enviados pelo Renan, mas eu não tenho a mínima idéia de como seja meu quarto. Não é mais aquele quarto no edifício Flórida na zona 7, palco de tantos momentos marcantes.

A vida vai ser outra quando eu voltar, disso eu não tenho dúvidas. E eu tenho a certeza de que coisas boas virão.

Bom, o verão acabou e eu praticamente não compartilhei aqui o que aconteceu. Foram coisas ótimas. O tempo passou voando! Primeiro, no comeco de Julho, tivemos a visita do César e da Verônica - pais da Pri e do Vini, e meus ''sogros''.

Foram duas semanas extremamente busy no London Zoo e tivemos poucos dias de folga. Mas nos dias que tivemos conseguimos fazer uma viagem deliciosa de carro pra Paris, Bruxelas e Bruges. Pegamos um bom carro, dormimos em bons hotéis, conhecemos os principais pontos turísticos, comemos bem e gastamos dinheiro. Tudo valeu a pena.

Depois do retorno da Verônica e do César, continuamos nosso ritmo trabalhador. Mas o trabalho não é nada sufocante. Fazemos longas jornadas, mas a equipe é jovem, todo mundo se dá bem e no final sempre rola umas cervejas. Não tem do que reclamar.

Num raro domingo de sol, com uma ressaca lazarenta pós-ring-of-fire (quem conhece esse jogo, parecido com Sueca, sabe do que eu estou falando), fomos pra Brighton com o João e a Rafaela. O João e a Rafa são um casal de Juiz de Fora-MG muito gente fina que deasenvolveu uma amizade muito grande com a gente. Em Brighton tivemos um merecido day-off de verão. Com o sol rachando, passamos o dia todo nas pedras (Brighton é uma praia sem areia) tomando Stella gelada, mergulhando e jogando conversa fora.

Em agosto, chegou minha mãe e o Antonio - namorado. Por sorte, agosto é o mês mais parado no London Zoo e eu consegui quase duas semanas de folga.

Apesar de eu estar atuando como Guia Turístico para eles, eu me senti tão turista quanto. Saindo todos os dias para os pontos turísticos da cidade me fez perceber o quanto eu desconheco Londres. Apesar de saber bem onde cada atracão está eu quase não aproveitei o lado turístico de Londres até esse verão. London Eye, casas do Parlamento, Tower Bridge, Leicester Square, Covent Garden, as caminhadas na beira do Thames, pints e bandas ao vivo em Pubs, festivais gratuitos em Trafalgar Square, St. James Park, tudo isso eu pude aproveitar enquanto mostrava a cidade pra minha mãe e pro Antonio. Foi ótimo.

No aniversário da minha mãe, dei de presente duas passagens pela EuroStar pra Paris. Como eu amei Paris, pensei que esse seria um puta presente. Mas a verdade é que minha mãe gostou mais de Londres do que de Paris. Talvez seja o fato de que lá ela estava somente com o Antonio, somente com a ajuda de alguns mapas e tendo que fazer tudo sozinhos, pegar metrô, procurar os locais. Nosso caso foi diferente. Fomos de carro - que agiliza muito mais os passeios, e fomos com o César, que já conhecia Paris. Com uma pessoa experiente sempre fica mais fácil. Foi o caso deles em Londres, aposto que amaram Londres porque poderam aproveitar a cidade com um olhar experiente (o do ''guia'' aqui) sob a cidade.

Na última semana, resolvemos alugar um carro também (eu, Pri, mãe e Antonio). Nem sabíamos pra onde íamos, mas queríamos simplesmente IR. Pegamos um Ford Focus em Heathrow e partimos as dez da manhã pra Oxford.

As estradas inglesas são muito boas de se rodar. Em quarenta minutos chegamos em Oxford. De cara já chegamos no Oxford University Museum, um prédio imponente - que já foi um dos campi da universidade, e que hoje abriga uma vasta colecão de história natural. Muitos fósseis de dinossauros que lá existiram e uma explicacão magnífica da teoria da evolucão das espécies, desenvolvida pelo inglês Charles Darwin. Depois fomos para o velho centro de Oxford e conhecemos tudo. É até difícil lembrar, mas entramos em mais dois museus, conhecemos os prédios das principais universidades, algumas igrejas fabulosas e jardins imponentes.

As quatro da tarde pegamos o carro e resolvemos partir. O destino era incerto. No caminho fomos discutindo se nós iriamos pra Liverpool, Manchester ou se iríamos encarar ir até Glasgow na Escócia. Depois de alguns pontos sob as vantagens e desvantagens optamos por Liverpool.

No caminho paramos num dos chamados ''Services'' no meio da rodovia em Stoke-on-Trent. Esses Services são pontos de parada que têm mercado, shopping, fast foods, cafés, parquinhos. É uma loucura. No meio do nada. Bom, nesse service decidimos encarar um baldão de frango do KFC. Com fome, pedimos um baldão com 16 pedacos e quatro batatas-fritas. Não conseguimos comer nem 8. O frangão é muito bruto. Só nego laricado consegue mandar um balde daqueles de frango de primeira. Não dá. É demais!

Quando chegamos em Liverpool já era noite. A cidade estava LOTADA. E além de lotada eu nunca tinha visto uma cidade com tantas pessoas bêbadas daquele jeito. Simplesmente 90% da galera estava chapada num domingo a noite. Muitos cantando sozinhos na rua, abracados, outros vomitando, outros cambaleando pelas ruas. Mulheres, homens, jovens, velhacos, tava todo mundo muito louco.

Nosso objetivo era achar um hotel. Tentamos no em três. Nada, nenhuma vaga. No quarto, a recepcionista deu risada na minha cara:
-are you trying to find a room right now in central Liverpool?
-yes, I am.
-you're not gonna find it.

Eu não entendi o porquê. Nem a Priscila. Tentamos mais uns 4 hotéis, mas nenhuma vaga. O tempo passava, e nós rodávamos a pé e de carro atrás de hotéis. Uma hora, decidimos dar uma volta ao redor do centro e nos perdemos várias vezes. Mas tudo era risada. Depois brincamos de seguir um táxi:
''-se esse táxi está levando uma pessoa bêbada, pode estar levando para um hotel!''
Mas era alarme falso. O táxi foi se afastando muito da cidade e resolvemos virar a esquerda. Fomos parar num pub que tinha uma placa em cima dizendo que havia vagas. Era a nossa salvacão!

Desci do carro com a Pri e entramos no Pub com aquele olhar tímido e de quem está entrando num ambiente totalmente adverso. Dentro do pub, muitos posters dos Beatles, vários velhos, algumas mulheres dancando no meio do salão e um negão cantando as piores músicas dos anos 60 e 70 que você possa imaginar, numa caixa amplificada toscamente, criando uma sonoridade totalmente agressiva aos ouvidos. Alguns sujeitos com cara de mafiosos e outras senhoras te olhando, como quem pensa: ''who the hell are those two?''. O cenário era o mais desastroso possível, mas nós olhamos um para o outro simultaneamente pensando: É ESSE MESMO!

A recepcão era no balcão da bodega mesmo. Comecamos a conversar com uma das funcionárias, que já tinha acabado o turno e segurava um pint de cerveja na mão. Além do sotaque irlandês filho-da-puta de entender, a música alta e estridente só piorava a conversacão. A boa notícia era que havia vaga, mas não pra camas de casal. Naquele estágio, nós falamos que qualquer coisa era válida. Depois de uns 10 minutos a gerente chegou e falou que daria um jeito. No final das contas, ficamos com dois quartos, com várias camas de solteiro. Eu e a Pri ficamos num quarto e juntamos duas camas de solteiro. Minha mãe e o Antonio também.

Levamos as malas pros quartos, que eram muito arrumados e tinham banheiro, e descemos pro buteco. No pub, fomos entender que estava rolando uma festa de família. Era batizado dos dois sobrinhos da dona do Pub. Por isso todos olharam pra nós. Vários parentes estavam dormindo nos quartos em cima do bar. De cara, todos foram receptivos e já comecamos a conversar sob da onde éramos, o que estávamos fazendo em Liverpool e pra onde iríamos na segunda-feira - que era Bank Holiday.

A cerveja estava extremamente barata (£ 2.00 o pint) e as doses também (£ 1.60 pelo Jack Daniels). Depois de uma hora, a Pri e minha mãe já estavam dancando no sofá com as donas do buteco enquanto eu me matava de rir, pensando: cacete, como que a gente veio parar aqui!?

O negão/cantor de churrascaria, depois de algumas cervejas passou a ficar agradável e eu já tinha virado fã do cara depois de cinco pints. Ela cantava muito desafinado, mas o cara tinha estilo. De paletó, gravata e óculos escuros ele comanda o coro com vários clássicos. O cara foi tão foda que até chegou ao balcão e, ao me ver cantando ''My Girl'' do The Temptations junto com ele, colocou o microfone no minha frente e eu meti o refrão: ''My girl, my girl, my girl (em falsete), talking 'bout my giiiirlll''. Farra total, cara.

Na conversa com a galera do bar descobrimos que em Liverpool naqueles precisos dias 24 e 25 estava rolando o maior festival gratuito da Europa, o Mathew Street Festival. A cidade estava toda fechada, com oito palcos espalhados pela cidade. Nesse festival, bandas cover dos Beatles do mundo todo se reunem e tocam um atrás do outro.

Na segunda-feira, acordamos, tomamos um traditional english breakfast, com bacon, ovos, feijões no molho de tomate, tomates fritos, toast e manteiga. Brutal, eu sei. Mas é assim que a galera recupera o fígado da bebedeira.

Saímos e conhecemos os principais pontos turísticos de Liverpool a pé e curtimos vários shows ao vivo. Eu ouvi a melhor banda de U2 Cover até hoje na minha vida. O cara era idêntico ao Bono. Sem zueira, ele tinha todas as poses iguais e o rosto e a voz eram idênticos. Sinistro, até!

Em Mathew Street, rua do legendário Cavern Club, onde os Beatles comecaram, conhecemos os brasileiros da banda Club Big Beatles. Eles eram os representantes brasileiros no festival. Tudo cara louco também. Mas eu tenho que dizer que o que me impressionou mais visualmente foi o Beatles Cover do japão. Muito foda os japoneses com aqueles cabelinhos de franja e terninho e gravata anos 60! Quase tirei uma foto com eles. Quase.

Liverpool foi fantástica. Tivemos muita sorte. Fomos parar no maior festival gratuito da Europa sem ao menos saber que ele estava rolando. O destino é algo inexplicável. A vida em si é inexplicável...

Bom. Eu me dei conta que estou escrevendo há muito tempo. Já são mais de dez da manhã e eu preciso arrumar o quarto e ir pro trabalho.

Preciso escrever mais sobre a vida londrina. Humm, ainda nem falei do Paintball que jogamos na floresta, das dezenas de álbuns que estou ouvindo e o show do OLD CROW MEDICINE SHOW que vou AMANHÃ!

DO CARALHO! To até pensando em levar um CD com a versão do Frank The Tank de ''Tell It To Me''. Imagina só:
''-Hey guys, this is my band from Brazil, we're huge fans of you guys. Keep on rockin', long life to country music!''

Insano.

Bom, eu volto em breve. Um forte abraco, meus caros.

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