Cidade Canção

OK, eu postei o lance abaixo sobre música e nem expliquei o que eu estou fazendo em Maringá. Sim, eu estou na cidade canção (façam cara de espanto!). Tive que voltar para cá, parecia a coisa certa a se fazer. Infelizmente, fiquei somente uma semana no litoral paranaense.

O ocorrido foi o seguinte: minha passagem de volta de Londres foi marcada para Outubro de 2008, bem como a do Vini e a da Pri. Mas o problema é que eu meu visto não é de um ano como o deles, que tirarão aqui no Consulado Britânico. O meu visto é uma modalidade nova, chamada STUDENT VISITOR, que permite uma estada de seis meses em solo britânico e proíbe o trabalho (vem um carimbo no seu passaporte). Logicamente eu vou pegar uns bicos e um eventual trampo por lá, mas na condição de ilegal. Bom, como foi marcado para Outubro, num erro conjunto do meu sogro, da mulher da agência de viagem e meu erro também, tenho que remarcar essa passagem de volta para até 23 de Julho de 2008, senão serei deportado no Home Office inglês.

Outra pendência era o meu curso de inglês, preparatório do FCE, lá no Lite College, em Bayswater. Eu ainda não havia pago o curso, e demora cerca de 20 dias para a carta chegar em Maringá, confirmando a matrícula.

Então o tempo estava correndo e eu estava lá na praia fumando narguilé e fingindo que tudo estava bem. Até que numa noite tediosa, deitei na cama e comecei e ler O Mundo de Sofia. Falei com meu pai e ele me disse que estava complicado para ele resolver as coisas em Maringá. Quando dormi tive um sonho estranho e decisivo. Sonhei que uma mão pegou forte no meu braço e me puxou, junto com a cama, até a estrada!!! Eu acordei assustado fiquei uns 20 minutos refletindo. Daí pensei: VOU PRA MARINGÁ.

Na manhã do outro dia fui à UFPR Litoral com a minha mãe e já descolamos uma carona para as 16h30min. A tarde passou voando, de repente já estava no carro. Paguei o pedágio como cortesia, desci numa avenida principal de Curitiba e peguei o ônibus circular até a Rodoviária. Cheguei lá, debaixo de uma chuva torrencial, por volta de 18h10min. Corri até a fila do guichê da Garcia e tinha umas 7 pessoas na frente. O tempo passava e eu preocupado, pois sabia que o ônibus era em torno de 18h30min. De repente, chega um cara correndo e pede pelo amor de Deus para entrar na frente de todo mundo, pois ele tinha que pegar o ônibus para Maringá! Na hora eu já desesperei, era 18h20min! Eu pedi pra todo mundo pra eu passar, pois tinha que pegar o mesmo ônibus! Passei, e havia somente 2 lugares, um pra mim e outro pro rapaz que me salvou - o Rodrigo. Pedi pra ele correr e segurar o ônibus pois eu iria pagar no cartão. Enquanto isso a mulher da Garcia fazia terror psicológico: "Olha, você não vai conseguir pegar não, pagando no cartão não tem jeito, tem que ser dinheiro que é mais rápido". Mas que filhadaputa, cara! Aterrorizou geral. Eu esperei, assinei a notinha e saí correndo Rodoviária adentro! Entrei no ônibus, sentei do lado de um cego, o Claudinei, que coincidentemente trabalha na UEM, na CVI, Centro de Vida Indepentende - uma ONG para deficientes. Cara, esse Claudinei me disse que em Maringá são 14.000 deficientes. É gente pra caralho! E olha que eu dei uma bola fora daquelas de quem tá com a cabeça voando por causa da tensão de ter pego o ônibus.
"-Você mora onde lá em Maringá?
-Moro no Alvorada, e você?
-Zona 7, perto do estádio.
-Eu trabalho na Zona 7.
-Ah, é? Po, que legal. Onde?
-Na UEM..
-Humm, eu sou acadêmico lá! Olha só essa blusa aqui, é da Atlética de Direito da UEM!
-Eu não enxergo. (Eu, com cara de otário envergonhado, apontando para o escrito UEM da minha blusa).

É, essa foi fogo. Mas acho que ele considerou! Bom, depois abri o livro O Mundo de Sofia e devorei mais de 200 páginas na viagem! Só fazendo uma pausa no Soledad para comer um salgado e tomar uma SKOL gelada (sempre quis fazer isso ao invés de tomar um café).

O livro é muito foda, hein? Bem que o Joba tinha falado: meus caros, leiam O mundo de Sofia. Na época eu só queria saber de música e farras colegiais.

Depois eu me aprofundo no livro. Numa discussão mais bem elaborada. Continuando a história, cheguei 02h da manhã e o Odaça já me buscou e compramos umas geladas no posto pra por a conversa em dia. Conversamos, bebemos e assistimos ao Discovery Channel. Sabia que a maioria dos bezouros só reproduz uma vez na vida? Eles gastam tanta energia para produzir o seu sêmen - que vem com uma enorme capa de proteína e aminoácidos que "enganam" a fêmea, fazendo com ela fiquei comendo aquela gosma enquando os espermatozóides tentem fecundar o óvulo - que ele passa o resto da vida se alimentando por ter gasto tanta energia pra ter produzido aquela bola de espermatozóides.

Hoje fiz visita surpresa pra Pri. Ela quase morreu do coração! -O QUE TÁ FAZENDO AQUI!?

E ajudei na mudança. Trabalhei das 08h as 11h30min. Achei que ia ficar na boa, tomando café da manhã, deitado na cama e me deparei com uma mudança bruta.

É! NÃO É MOLE, NÃO!

No momento, é só.

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