Un sábado en Paraguay

¿Hola patrón, deseas comprar un perfume?

Quem já foi ao Paraguai já deve estar acostumado com essa tão constante frase. Pois bem, eu só tinha ido ao Paraguai aos 10 anos de idade. Naquela ocasião visitei as Cataratas do Iguaçú, masquei centenas de chicletes argentinos e ganhei meu SuperNintendo. Com certeza, eu tinha guardado uma boa lembrança daquela viagem.

Mas dessa vez foi diferente.

Pra começar, preciso falar dos momentos prévios da viagem.

A viagem estava marcada para Sexta-feira à noite. Entretanto, na mesma noite aconteceria o "Arraiá do Direito", a tradicional festa junina do curso. Então, surgiu a brilhante idéia: Vamos para a festa e depois vamos direto para o Paraguai!

Eu, a Priscila (minha doce namorada) e o Michel (amigão do peito e colega de curso) combinamos então com o resto do pessoal que iria para o Paraguai (César - pai da Pri, Vinicius - irmão da Pri, Márcia - namorada, Marina - filha da namorada e Bê - amiga da filha da namorada) que assim que saíssemos da festa, iríamos nos encontrar.


E assim aconteceu.

Saímos da ótima festa junina um tanto quanto breacos às 03h e fomos direto para a casa da Pri encontrar o César. Na hora, o César já levantou, organizou as coisas em 10min e descemos para viajar. Eu ainda estava com a barba extremamente tosca, com o dente pintado de preto, a camisa azul-flanela e com meu paletó xadrez. Sorte que havia lembrado de levar um tênis e uma calça, então troquei a botina e a calça marrom. Já o Michel continuava com a camisa xadrez, seu elegante paletó caipira e seu bigode do oeste.


Chegamos na KOMBI, e capotamos.
Isso mesmo, meu velho. Nós fomos de Kombi para o Paraguai.

Com o Cesão dirigindo a viagem foi tranquila. Mas mesmo assim eu devo ter acordado umas 7 vezes durante a viagem, ora com a cabeça batendo no vidro lateral violentamente, ora com uma freada brusca da Bozó (apelido carinhoso da Kombi).

Paramos às 08h numa lanchonete bem próxima à Guaíra. Tomei um cafezinho e fui ao banheiro remover o resto da tinta preta que estava no meu dente. Voltamos para a Bozó e nos dirigimos ao Itaú, onde o Michel precisava tirar uma grana. Já eu? Bom, eu fiz uma das coisas mais ridículas que um indivíduo pode fazer: FUI AO PARAGUAI SEM DINHEIRO.

Atravessamos a ponte Airton Senna (que por sinal, não tem a curva do S), andamos por Mato Grosso e cruzamos a fronteira. Chegamos, enfim, ao Salto Del Guairá.

A cidade de Salto del Guairá em pleno sábado 09h da manhã já estava uma zona. Muitas lojinhas, muitos ambulantes, muita gente querendo vender, muito guarani ou espanhol (sei lá que porra é aquela?) incompreensível. O caos. E o Dólar à R$ 2,10.

O César parou a Kombi numa esquina do centro e berrou:
-Desce aí, cambada! Encontro vocês às 11h"

Andamos das 09h às 11h de loja em loja do centro. Eu, sem um puto meu e apenas com R$ 20,00 dado por um amigo com a seguinte advertência:
-Um Chivas ou um Viagra. O que você conseguir com esse dinheiro.

Era impossível achar qualquer um dos dois por R$ 20,00, mas mesmo assim eu continuava pesquisando o Chivas. Já o Viagra era muito tosco perguntar o preço, e todas as vezes foi o Michel, de bigode, que perguntava.

O exército fazia a proteção das ruas, com a armas enormes que eu nem sei o nome. Só que andando por lá eu sentia um leve desconforto. Não era um lugar tão seguro..mas também, era uma novidade para mim, e o novo assusta.

Às 11h, andamos até uma farmácia e compramos uma lata de Budweiser cada um (eu e Michel). Incrível, no Paraguai eles vendem cerveja na farmácia! Isso existe no Brasil? Se existir, me avise, por favor. Bom, essa latinha foi a melhor parte do dia, até aquele momento. Gelada, redondinha. Uma DILÍCIA.

Da latinha (que já tinha me deixado um pouco chumbado, pois estava de estômago vazio desde a noite de sexta) fomos direto pra Kombi, pra caçar um restaurante. Onde estacionamos a Kombi conhecemos um senhor turco, chamado Omar, que dizia já ter sido segurança do Rei da Jordânia, Abdullah I, por 15 anos. Ele vendia DVDs de filmes e pornôs (destaque para o filme "Quase Virgens"), cuias de tererê e mexiricas. (?). E nos deu uma preciosa dica: que os restaurantes do shopping eram caros e fracos. Um lugar bom era a Taverna Brasileira, numa das últimas ruas do centro.

Partimos pra lá então, eu, Pri e Michel! Chegamos no restaurante famintos e ainda era 10h20min no horário paraguaio. Um pequeno detalhe que havíamos desconsiderado. Não nos restou outra alternativa. Esperar. Esperamos e tomamos uma Brahma de 1 litro. Cara, porquê não vendem Brahma de 1 litro no Brasil? É bem melhor pra 3 pessoas. Bom, voltando..o buffet chegou, a carne saíu e nós destruímos. Eu mesmo comi uns 3 pratos de feijoada e mandei muita carne pra dentro. Tudo isso por R$ 9,00. Um ótimo preço, com sobremesa e cafezinho de graça.

Saindo do restaurante feliz e contente, com a barriga cheia e com um café na mão, um desafortunado esbarra no meu braço e derruba todo o café na minha camisa xadrez e no ombro dele. O cara, além de estar errado, ainda vira pra mim e começa a xingar: - Filho da puta, caralho..

O cara era grande e eu estava tranquilo porque tinha outra camiseta na Kombi. Então, deixei ele falando sozinho.

A tarde fomos para o famoso Shopping da cidade de Salto del Guairá. Fiquei surpreso com os altos preços dos vestuários e outros artigos. Pra você ter noção, um all star custava R$ 110,00. Um absurdo! Mas em relação à eletrônica e bebidas, o Paraguai é imbatível.

Salto del Guairá: Vinhos bons e baratos

Vinho Santa Helena? $2.90
Tequila José Cuervo? $8.00
Johnnie Walker Red? $18.00

E eu sem nada.

Andandando pelas lojas do shopping encontramos um Chivas 12 anos por R$ 28,00. Apesar de estar extremamente barato, ainda chorei um desconto e consegui por R$ 26,00 para levar pro meu amigo em Maringá.

Com o Chivas na mão, achei uma loja de instrumentos musicais. Aí o espírito consumista coçou! Encontrei um amplificador da Marshall Mg 100 DFX. Um tesão, um dos amps que sempre quis. De R$ 1.100,00 reais o cara me ofereceu por R$ 950,00. E eu sem dinheiro. Ainda sim ele negociou. Falou que pegava o cheque do meu sogro em 6 vezes. Porra! Aí eu conseguia pagar na lata com a grana do estágio!

Aí minha cabeça foi à 1.000. Comecei a viajar pensando no Marshall. Eu já o sentia como meu. E o César ainda topou lançar os cheques. Fiquei faceiro demais. Finalmente teria um Marshall!!!

Mas daí surgiu o problema: como passar pela fronteira com um amp de R$1.000,00 em meu nome? A cota pessoal é de $300,00. E nós estávamos numa Kombi, que tem um adesivo no vidro frontal escrito Vida Loka. Seria impossível passar sem a fiscalização nos parar. Pensei, pensei, pensei..e resolvi não arriscar. Dei adeus ao sonho Marshall.

Adeus Marshall!

E depois de muita pernada, saímos do shopping às 17h.

Eu acabei pegando R$ 10,00 emprestado da Priscila, pois era muito inútil ir ao Paraguai e não comprar nada, né. Com R$ 10,00 reais fiz um estrago. Comprei um Red Bull ($1.40) e duas Budweiser de 1 litro ($1.50 cada). Que compra, não?

Enfim saímos do shopping e zarpamos de Salto del Guairá. Era 18h e todos estavam exaustos e cheios de sacola. Bom, todos, exceto eu.

Pegamos e estrada e seguimos para o posto de fiscalização. Era a grande hora! Seríamos ou não seríamos parados!?
...
.....
Tensão no ar.
...
....
A camionete da nossa frente comprimenta o guarda e nós atrás passamos direto! DIRETO! Com uma Kombi velha escrito Vida Loka. Foi incrível. Se eu tivesse apostado, teria perdido dinheiro.


Na viagem, tudo foi ficando relaxante..o barulho extremamente alto do motor da Kombi parecia uma musiquinha de ninar, os buracos da estrada não incomodavam mais, e eu rapidamente fui adormecendo..

Acordei com a Kombi parada no meio mato. Tudo escuro, e carros passando em alta velocidade do nosso lado. O César desceu da Kombi e foi chegar o motor. O cheiro não era bom. Nem a frase dele quando voltou ao vidro do motorista. "The dream is over". Essa foi a frase. E ninguém entendeu nada. O que tinha acontecido? Onde estávamos? O que iria acontecer?

Começou então nossa saga para voltar para casa. 19h do Sábado, numa estrada desconhecida, sem acostamento, sem pisca alerta e sem sinal de vida.

O César desceu com o Vinícius e os dois coletaram pedaços de pau na beira da estrada para tentar alguma sinalização junto ao triângulo. Na estrada, os carros passavam tirando tinta da Kombi, de tão perto. Tava tenso.

Depois de 20min de agonia, acenando para os carros que passavam, uma Saveiro parou. O rapaz topou ajudar, e levou o Vini até o posto mais próximo para ligar para um guincho. Mas a sorte não estava do nosso lado, e o telefone do guincho não atendeu.

No desespero, tive a primeira idéia brilhante da noite: ligar para a polícia! Sim, a polícia, nossos protetores. E na real, funcionou. Eles atenderam e nos passaram um número de um guincho de Umuarama (o lugar que quebrou a Kombi ficava a 40km de Umuarama). O Césão ligou e o cara do guincho falou que demoraria 1 hora e meia para chegar lá.

Enquanto isso, no posto, o Vini fez amizade com um dono de um buteco, o Seu Vavá. O Vavá disse que ajudaria, e pediu prum amigo pegar o Celta preto dele na igreja. O rapaz pegou o Celta e foi até a estrada nos buscar em duas viagens. Pra compensar, o Vini soltou R$ 20,00 na mão do Seu Vavá.

Ficamos no buteco do Vavá das 20h até as 21h30min. Tomando coca, comendo biscoito de polvilho e de olho nos sujeitos countries e mal-encarados que entravam no bar.

21h30min o guincho chegou e tinhamos então um novo problema: como voltar à Maringá? O cara do guincho disse que não ia levar ninguém na Kombi. Que isso era proibido. Mas sabe como é o Brasil, né? Depois de uma conversa bem chavecada no cara, e de tentativas frustradas de achar alguém pra fazer o frete, ele topou levar a gente na Kombi até Umuarama. Todos abaixados. Ficamos 30 minutos na estrada, abaixados na Kombi para a polícia não ver. Foi tosco, porém tenso.

Às 22h15min chegamos em Umuarama, e o motorista do guincho nos deixou num posto velho, sujo e perigoso. O César seguiu viagem com o guincho até Cianorte, e o Vini e o Michel foram pra Maringá, levando todas as compras na Kombi. Ah! O Vini ainda ia pra NitroMorfose.

Então ficou eu e mais quatro mulheres num posto sinistro. Eu sabia que alí ia dar merda, pois o César ainda teria que ir até Cianorte pegar o carro e voltar para Umuarama. Esse trampo todo ia durar umas 3 horas, mais ou menos. Então surgiu minha segunda idéia brilhante: ligar para o primo do meu pai, "Tio" Doroteu! E deu certo! Liguei, pois tinha o número pelas filhas, que considero minhas primas, Lívia e Laís, e a "Tia" Claudete me atendeu:
-Alô
-Oi, quem fala?
-Claudete..quem é?
-Oi! É o Rafael, filho do Odacir! Como que você tá?
-Oi Rafael!! Quanto tempo! Eu to bem! Nossa, quanto tempo que você não liga de Maringá pra conversar um pouco! Tá tudo bem aí?
-Pois é..aí não..aqui. Tava voltando do Paraguai com a família da minha namorada e o carro quebrou..

Bom. Esse foi o desfecho do pesadelo. Depois disso, o Doroteu nos buscou, fomos pra bela casa deles, conversamos um monte com minhas primas, meus tios, demos risada, comemos pizza (pediram 3 pizzas!!!) e às 02h o César apareceu lá e nós fomos embora.

Aproveitando a oportunidade: Obrigado família Zimiani (Doroteu, Claudete, Laís e Lívia)! Vocês salvaram nossa noite.

Enfim..é isso.

Um sábado no Paraguai e muita história pra contar.

3 comentários:

Priscila disse...

obrigada pelo "doce'

é foi uma viagem e tanto mesmo!

Família Zimiane que seja recompensada! uiheiuehiuehiuehieuhe

beijos tonis.

Anônimo disse...

Obrigado por Blog intiresny

Anônimo disse...

kkkkkkkkkkkk historia legal

estava pesquisando fornecedorem em py e deparei com sua historia agora são 3:40 am legallll kkk

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